Cultura

Ritmos musicais nacionais são patrimónios imateriais

Mário Cohen |

Classificar os ritmos musicais nacionais com realce para o semba, kizomba e kuduro como património cultural imaterial é o grande objectivo do Ministério da Cultura, garantiu ontem, em Luanda, a titular da pasta, Carolina Cerqueira.

Alunos da escola de formação musical Obra Bella animam os presentes na cerimónia de encerramento do Conselho Consultivo do Ministério da Cultura
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

A governante, que  falava no encerramento do V Conselho Consultivo do Ministério da Cultura, realizado durante dois dias no Museu da Moeda, em Luanda,  revelou ser já altura de desenvolver o programa de expansão do ensino artístico especializado no país.
Carolina Cerqueira disse ser importante a criação de um grupo de trabalho para estudar com profundidade o funcionamento da maior manifestação da cultura nacional, o Carnaval, assim como incrementar o diálogo com as instituições religiosas visando dar resposta às questões relacionadas com a sua proliferação e o seu papel  na consolidação da paz. 
Durante os dois dias de trabalhos, disse a governante, os especialistas em cultura afirmaram ser  importante promover o surgimento de feiras e actividades afins para a inserção da produção artesanal na geração de emprego e consequentemente a redução do desemprego.
A unificação da escrita das línguas, bem como a promoção da investigação científica no domínio das línguas nacionais e o estabelecimento de parcerias com instituições académicas, visando o incremento das pesquisas no domínio da cultura foram referenciados pela ministra.
O Ministério da Cultura, disse, vai estabelecer programas culturais que atendam as questões relacionadas com a educação, meio ambiente, desenvolvimento económico das comunidades, urbanismo espaços públicos, ampliação da rede museológica nacional e aprovação do estatuto do adido cultural, com a finalidade de promover a cultura nacional no estrangeiro.
Segundo Carolina Cerqueira, o órgão que dirige vai intensificar o vínculo com as missões diplomáticas, no sentido de dinamizar o intercâmbio nacional no domínio cultural e implementar o sistema de residência artística em Angola. A ministra da Cultura aproveitou a ocasião apresentar o novo directo da Casa de Angola na Baia, o artista plástico Benjamim Saby, tendo acrescentado que o mesmo já apresentou o seu plano de acção.

Diplomacia cultural

Os adidos culturais e especialistas ligados à área defendem uma diplomacia cultural mais agressiva do Executivo, com o objectivo de divulgar e promover mais a cultura nacional no estrangeiro.
Para o adido cultural no Reino de Espanha, Adriano Mixinge, o Executivo deve desenvolver políticas que enaltecem a cultura angolana, principalmente nos países onde existem representantes culturais.
Adriano Mixinge exemplificou os Estados Unidos como um país forte na promoção da sua cultura. “Os Estados Unidos não têm Ministério da Cultura, mas o Governo investe fortemente nas suas indústrias culturais. Nos anos 60, a CIA utilizou obras de artistas plásticos americanos para promover a cultura daquele país”, disse. Na óptica do adido cultural no Reino de Espanha, promover uma residência artística no país pode ajudar a desenvolver a nossa cultura no estrangeiro, assim como a realização de grandes eventos culturais em diversas áreas artísticas como a música, dança, teatro, cinema, literatura e artes plásticas, com o objectivo de alicerçar a cultura nacional.
Adriano Mixinge disse que temos artistas consagrados de grande referência internacional, que podem ser impulsionados como embaixadores culturais no estrangeiro, como é o caso Barceló de Carvalho “Bonga” e outros que podem ser grandes veículos para mostrarem a cultura de Angola além-fronteiras.
O adido cultural de Angola no Brasil, Carlos João, apesar da Casa de Cultura ter desenvolvido várias actividades culturais na Baía, reconheceu que a falta de condições de ordem financeira nos últimos dias tem dificultado a realização de muitas iniciativas.

Tempo

Multimédia