Rituais abrem festa da Cultura

Víctor Mayala e Fernando Neto| Mbanza Congo
7 de Janeiro, 2015

Fotografia: Garcia Mayatoko| Mbanza Congo

Um ritual feito pelas autoridades tradicionais do Lumbu, representantes da corte real do Congo, no Museu dos Reis do Congo, e no Kulumbimbi, onde repousam os restos mortais dos antigos soberanos, marcou ontem o início das festividades nacionais do 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional.

O director provincial da Cultura, Biluka Nsakala Nsenga, explicou ao Jornal de Angola que, na tradição Congo, toda e qualquer actividade a realizar deve ser antecedida de um ritual onde os protagonistas solicitam aos antepassados a bênção para nenhum incidente ocorrer.
“O povo Congo acredita em Deus criador e ao mesmo tempo no poder dos antepassados que fazem a transição entre Deus e os humanos. Por isso, em qualquer actividade, os ancestrais devem ser evocados, para abençoarem esse acto”, observou.
Para hoje, o programa do Dia da Cultura Nacional reserva uma conferência sobre a situação actual do Projecto “Mbanza Congo - Cidade a Desenterrar para Preservar”, a ser  preferida por Sónia Domingos, coordenadora científica do projecto, que vai passar em revista o desenvolvimento deste “dossier”, desde o início, em 2007, com a realização de uma Mesa Redonda Internacional, até os dias de hoje.
Às 20h00, é exibida uma peça teatral que retrata a História de Angola, pelo  grupo Elinga Teatro.
Sónia Domingos disse ao Jornal de Angola que, durante a conferência, vai fazer uma abordagem da intervenção de especialistas estrangeiros no processo de escavações arqueológicas em Mbanza Congo e a investigação realizada dentro e fora do país, tanto do ponto de vista histórico, como antropológico e cartográfico. A versão final do “dossier” sobre o projecto “Mbanza Congo - Cidade a Desenterrar para Preservar”, é entregue à UNESCO no final deste mês. A coordenadora do projecto esclareceu que uma vasta equipa trabalha neste momento, em Mbanza Congo e Luanda, na redacção final do texto que justifica, com argumentos científicos, o valor excepcional da antiga capital do Reino do Congo.
Para a directora do Instituto Nacional do Património Cultural, Maria da Piedade de Jesus, que se encontra desde segunda-feira em Mbanza Congo, um dos valores excepcionais de Mbanza Congo tem a ver com a estrutura organizacional que apresentava muito antes da chegada dos portugueses, em 1482, à foz do rio Zaire. “O Reino do Congo era bem estruturado ao nível político e social, de tal forma que desta cidade saíam todas as directrizes para o vasto reino”, lembrou a directora, acrescentando que a organização política pode ainda ser vista na forma como o rei controlava, sem grandes problemas, o movimento financeiro, com a moeda Zimbo, recolhida na Ilha de Luanda.
“Temos muita coisa para fundamentar a excepcionalidade de Mbanza Congo. A fundamentação tem de estar relacionada, juntando o património imaterial com o material”, referiu a directora do Instituto Nacional do Património Cultural.
Na idade média, as construções eram feitas com material de palha, capim e pau-a-pique, que ao longo do tempo desapareceram. Por isso, não foi possível encontrar vestígios desta natureza – referiu Maria da Piedade. “Não temos ainda connosco este tipo de vestígios. Mas temos estruturas da época dos reis, cuja construção feita pelos técnicos portugueses. São o caso de Kulumbimbi e Tadidya Bukikua”, indicou.
O acto central do Dia da Cultura Nacional, a ser presidido pela ministra da Cultura,  Rosa Cruz e Silva, decorre amanhã, às 10h00, na sede do Governo Provincial do Zaire e culmina com um espectáculo, a partir das 19h00, no Largo Dr. Agostinho Neto, com a participação da banda Jabumba e dos músicos Kyaku Kya Daff, W.King, Socorro, Menina  Vice, Jovem  Gil, Gumas, Mig e grupos de dança da província do Zaire.

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