Cultura

Roberto de Almeida na programação do Memorial

Jomo Fortunato

Cultura, cidadania e lazer são três palavras-chave que vão continuar a orientar a Programação Cultural do Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN), na segunda metade de 2018.

Fotografia: Edições Novembro

O conceito de cultura, no seu sentido lato, tem sido abordado na perspectiva da valorização de várias expressões culturais e artísticas, quer nacionais como internacionais, o conceito de cidadania no sentido de corresponder os anseios, aspirações e expectativas do cidadão perante as ofertas culturais da sua cidade,e, por último, o lazer,que tem sido entendido na perspectiva social de reorientação do público para a fruição educativa e pedagógica do entretenimento.
Na verdade, o mote da diversificação, dinamismo e proliferação da acção cultural do MAAN, ultrapassou as expectativas do público, sobretudo no domínio das artes plásticas, facto que contribuiu para a modelização do conceito das formas de lazer do cidadão, transformando os espaços de fruição cultural do Memorial em instrumentos pedagógicos de crescimento pessoal e conhecimento da realidade cultural angolana, numa perspectiva diacrónica, o que deu azo a aparição de um público fiel às propostas culturais desta instituição.
A evolução no tratamento interactivo das realizações do MAAN  tem permitido tornar os participantes mais confiantes, críticos, criativos e seguros, na absorção activa dos conteúdos culturais ao dispor do público. Tanto é assim, que a abrangência da agenda cultural, procurou atingir os vários estratos da sociedade angolana, de modo a potenciar o interesse de vários públicos, apelando o contributo voluntário dos promotores culturais e dos cidadãos que visitam o Memorial.
O segundo semestre de acções prevê um conjunto de realizações com destaque para a palestra do Dr. Roberto de Almeida, no dia 17 de Setembro, que vai abordar com a profundidade a vida e obra do Dr. António Agostinho Neto, a exposição “Nove momentos de gestação de ideias”, do artista plástico, Don Sebas Cassule, a 7 de Setembro, a palestra, “A poesia de Agostinho Neto no imaginário da Música Popular Angolana”, que será proferida pelo Jornalista, Analtino Santos, a 21 de Setembro, o projecto “Textualidades, conversa com leitores”, com Pepetela,27 de Setembro, e o documentário, “Langidila”, de Nguxi dos Santos e José Rodrigues, sobre a vida da Deolinda Rodrigues, a 28 de  Setembro, são os destaques do mês do herói nacional.

Toty Sa’med
No entanto, teremos a segunda série das tertúlias, “Textualidades, conversa com leitores”, fora do mês do Herói Nacional, com os insignes escritores, Fragata de Morais, 30 de Agosto, e  Sandra Poulson, 25 de Outubro e Manuel Rui, a 29 de Novembro. Destacamos ainda os concertos de Toty Sa’med, Kizua Gourgel e Romeu Miranda. Vejamos, seguidamente, o resumo dassuas biografias artísticas. 
Para um melhor conhecimento do público, destacamos a biografia artística dos três cantores com concertos marcados no MAAN. Volvidos cerca de dez anos de aprendizagem, Toty Sa’med, agora na condição de produtor, arranjador e director musical, tornou-se um dos mais importantes guitarristas e intérpretes da sua geração, e o “Kings Club”, espaço cultural contíguo à sua residência, foi um dos seus lugares íntimos de exibição musical. Filho de Américo Medeiros e de Maria dos Santos, Erickson dos Santos Medeiros, Toty Sa’med, nasceu em Luanda no dia 18 de Maio de 1989. Quando contava apenas catorze anos de idade, Toty Sa’med, já ensaiava os primeiros acordes de guitarra com a banda Pop/rock “Kuecas e boxers” que mudou depois a TheKing’s Band.
Toty Sa’med denota influência dos brasileiros, Djavan e Ed Motta, tendo sido o mais votado no Festival da Canção da LAC, Luanda Antena Comercial, edição 2012, prémio melhor Afro-Jazz, Rádio Luanda, 2016, “Músico do ano”, Revista Jovem da Banda, em 2016 gravou o EP, “Ingombota”, participou no CD “O canto da sereia”, de Filipe Zau e Filipe Mukenga.  O público aguarda com enorme expectativa o concerto de Toty Sa’med no Memorial Dr. António Agostinho, uma pertinente personalidade musical cujo perfil artístico foi construído, fundamentalmente, por um processo de auto-didactismo.

Kizua Gourgel

Herdeiro directo da trova angolana de intervenção política, através dos seus pais, Beto Gourgel e Eila Hellevi Lehtinen, Kizua Gourgel ficou conhecido, para além de outros momentos notáveis que marcaram a  sua carreira, pela interpretação de “Negra de carapinha dura”, uma canção do cantor e compositor Alberto Teta Lando.Três momentos diacrónicos marcaram a formação musical do cantor e compositor, Kizua Gourgel: primeiro foi o convívio musical com os seus pais na infância, depois a integração nos “Patinhos”, grupo infantil da Professora Rosa Roque, antecâmara à formação das “Gingas do Maculusso”, onde permaneceu dos cinco aos vinte e dois anos de idade, e, por último, a entrega pessoal na pesquisa e aprendizagem do violão, por um processo de autodidactismo. Kizua Gourgel e Isaú Baptista, em dueto, cantam no Memorial no dia 23 de Novembro. 

Romeu Miranda
Cantor, compositor e actor, Romeu Miranda cresceu no distrito do Sambizanga, Bairro São Pedro da Barra, local onde descobriu a sua propensão para a música e teatro, quando contava apenas treze anos de idade. Nesta altura, apaixonou-se pelo género, hip hop, actuando em vários eventos recreativos organizados pela Escola 428, onde estudava, e na abertura de espectáculos teatrais. Em 2004, Romeu Miranda juntou-se a quatro amigos, Euclides de Almeida, Pedro, Lineu Lussasse e Sakatwuala, e formaram um pequeno grupo musical, denominado, “Os fantásticos”.  Em 2009,  “Os fantásticos”, por razões de formação académica dos outros integrantes, transformaram-se em Duo, constituído por, Romeu Miranda e Euclides de Almeida. Em 2010, “Os fantásticos” participaram no concurso “Estrelas ao palco” e Festival da LAC, Luanda Antena Comercial, ocasião em que venceu o “Prémio Melhor Voz” do festival, com a interpretação da canção, “Kiukitukila”, de António Pascoal Fortunato “Tonito”.

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