Rosa Cruz e Silva pede mobilização

Estácio Camassete | Huambo
29 de Julho, 2014

Fotografia: Paulino Damião

A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, considerou fundamental os promotores de actividades culturais começarem a realizar actividades mais práticas, para mostrarem que a cultura pode gerar rendimento e ser um factor de desenvolvimento.

O momento é oportuno para a mudança do paradigma.
“A cultura não é regularmente vista como um factor decisivo e esse é um quadro que precisa ser invertido urgentemente”, disse a ministra durante um encontro com a comissão executiva da do Festival Nacional de Cultura (FENACULT) no Huambo.
A ministra considerou o encontro decisivo para a realização de um festival diferente do anterior: “O país está em paz e os criadores angolanos têm a possibilidade de mostrar condignamente a cultura nacional e reforçar a sua cooperação, através da troca de experiências”, defendeu.
O FENACULT, que decorre de 30 de Agosto a 20 de Setembro sob o lema, “A Cultura como factor de paz e desenvolvimento”, vai ser, destacou a ministra, um espaço mais amplo de diálogo e intercâmbio entre os artistas. “É também um acontecimento que vai levar o empresariado nacional a participar activamente no desenvolvimento da indústria cultural”, frisou.
A ministra garantiu que está consciente de que é difícil realizar um festival desta dimensão, mas pediu o esforço de todos, por ser uma actividade decisiva para o desenvolvimento da cultura nacional e garantir mais unidade entre os angolanos.
O coordenador geral do FENACULT, Jorge Gumbe, disse que durante a actividade cada província vai ter um programa específico de actividades. “O que queremos é apresentar um projecto mais participativo, no qual todos os angolanos possam rever-se e ajudar a construir um mosaico cultural mais forte, dentro da diversidade”, justificou o responsável.
O governador da província do Huambo, Kundi Paihama, disse que o FENACULT vai ser um ponto de promoção, coesão e unidade da identidade cultural de Angola: “Com essa iniciativa, o Executivo pretende desenvolver as políticas para promover a cultura e aumentar a interacção entre os diferentes criadores nacionais, com o sector público e privado, fomentar o consumo e a valorização de bens nacionais”.
O programa de actividades do FENACULT inclui a realização de um Festival Nacional de Dança e Música Tradicional Angolana, no Huambo, o FestiSumbe, no Cuanza Sul, a Feira do Artesanato do Dondo, no Cuanza Norte, um Festival de Teatro, em Benguela, o Festival de Vozes Femininas, em Luanda, e o Encontro Sobre as Línguas Nacionais, no Cuando Cubango.

Músicos a favor


O músico Dom Caetano enalteceu, ontem, em Luanda, a realização da II edição do FENACULT, por contribuir na valorização, divulgação e perpetuação da cultura nacional.
Dom Caetano disse à Angop que a realização do FENACULT representa um momento especial para o país demonstrar as suas potencialidades culturais e turísticas como um factor de unidade nacional.
O festival, acrescentou, vai exigir aos agentes culturais mais rigor nas suas obras, de forma a dignificar o FENACULT.  Para o artista, o festival é também uma mais-valia para os criadores do ponto de vista formativo e informativo: “É um passo essencial ao fortalecimento económico e cultural do país”.
O músico António Paulino considera o FENACULT fundamental para o reforço do intercâmbio entre os jovens e os precursores do semba. A troca de experiências, disse à Angop, pode ajudar no surgimento de mais criadores de semba e melhorar o trabalho dos percurssores.
“É importante que os mais velhos passem o seu testemunho para que os jovens ganhem interesse pelo estilo, e sobretudo aprendam a cantar com mestria. Para que os jovens se interessem pelo estilo, é preciso que conheçam devidamente a história do Semba e a sua importância para a cultura nacional”, realçou.

Aniversário de Neto


O artista manifestou a sua preocupação pelo facto de muitos jovens estarem a enveredar para estilos mais electrónicos, em detrimento de músicas que representam a verdadeira cultura angolana. “Não tenho nada contra o surgimento de outros estilos, mas devemos valorizar mais os ritmos nacionais”, disse.
António Paulino pediu também maior contributo dos empresários nacionais. O cantor reconhece que já existe  apoio, "mas ainda é muito fraco".
O FENACULT realizou-se pela primeira vez em 1989 e contou com a participação de músicos, dançarinos e actores. Apesar de ter ocorrido no período da guerra, o festival serviu para dar alento às artes nacionais.
A segunda edição do festival vai ainda homenageiar o Presidente José Eduardo dos Santos, pelo seu papel na defesa da angolanidade, empenho e dedicação em prol da valorização e desenvolvimento das artes e da cultura angolana. Serve ainda para assinalar o 90º aniversário do nascimento do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto.

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