Rubén Aguirre publica autobiografia


19 de Fevereiro, 2015

Fotografia: REUTERS

Rubén Aguirre, actor que interpretou o professor Girafales na série de televisão mexicana “Chaves”, lançou o livro “Después de Usted”, autobiografia na qual regista a gratidão a Roberto Gómez Bolaños.

O título do livro remete ao jargão do seu personagem na série “Depois da Senhora”, dita repetidas vezes para Dona Florinda, vivida por Florinda Meza.
Se não fosse por Bolaños, “mais do que um companheiro de trabalho, seu amigo”, Aguirre admite no livro que não se tinha tornado uma figura internacional ou mesmo conseguido fazer o que sempre amou: actuar.
Inseparável do seu charuto, “um vício horrível, que não devia ter”, mas que adquiriu aos 19 anos, o actor recordou em entrevista à agência Efe como Bolaños o chamou para interpretar o professor Girafales, personagem “pretensioso, vaidoso, prepotente e romântico” e pelo qual é lembrado até hoje.
“Ele foi inteligente, soube escolher cada um e dar o papel que acreditou em que cada um podia dar o melhor de si”, afirmou Aguirre, referindo-se ao elenco de “Chaves”, cuja união foi o segredo do sucesso da série, nascida na década de 70.
No entanto, o relacionamento entre os actores foi rompido quando alguns deles quiseram monopolizar os direitos dos seus personagens e indispuseram-se com Bolaños, como foi o caso de María Antonieta de las Neves, conhecida pelo seu papel como Chiquinha, e Carlos Villagrán, que interpretava o Quico.
“Cada actor tem as suas próprias características e a obrigação de encarnar o personagem, mas isso não significa que seja o seu. James Bond é de Sean Connery por tê-lo vivido? Não, é de Ian Fleming. Assim como os actores que interpretaram Hamlet não o ‘tiraram’ de Shakespeare”, opinou Aguirre. As suas opiniões custaram-lhe a amizade de María Antonieta, por ter dito durante uma entrevista que pretender roubar a personagem do seu criador era uma “canalhice”.
“A partir de então não falou mais comigo, ficou muito zangada. Eu sinto muito, porque éramos muito amigos e conheço-a desde menina”, comentou Aguirre, afirmando estar “disposto a pedir perdão e esclarecer as coisas”, a fim de recuperar a amizade que um dia tiveram.
Na sua autobiografia, que terminou de escrever pouco antes da morte de Bolaños em Novembro de 2014, Aguirre faz referência ao seu papel como professor Girafales, mas conta também o resto da sua trajectória como actor, ofício do qual precisou de se afastar há alguns anos por causa do seu estado de saúde. O actor, que além das artes cénicas também passou por outras profissões, como piloto, locutor e apresentador, afirmou que apesar de os actores “morrerem de fome”, actuar é o que ele realmente gosta de fazer.
Aguirre lembra também que sempre se manteve discreto em relação à sua vida particular. “Fico chocado com os artistas que vendem o seu casamento, um divórcio ou o nascimento de um filho para uma revista ou para um programa de televisão. É uma coisa muito íntima, eu jamais fazia isso”, destacou.
Amante das redes sociais, o actor mantém uma competição saudável no Twitter com Édgar Vivar, disputando para ver quem alcança o maior número de seguidores.
“Os dias em que os primeiros capítulos de ‘Chaves’ foram gravados, uns em cima dos outros, no mesmo filme, para economizar, ficaram para trás. Os avanços tecnológicos foram bárbaros desde então, mas é uma pena que os avanços intelectuais não tenham sido os mesmos”, considerou.
“Os textos actuais são ruins, há piadas muito antigas, e você vê actores excelentes, mas pergunta-se quem está a escrever as suas falas”, completou.
No “crepúsculo da sua vida”, como observou com humor, Aguirre lamentou ter deixado algumas coisas por fazer, como interpretar um vilão ou ter sido “árbitro” de beisebol.
Ainda assim, afirmou que ver os seus filhos é o que o faz sentir-se mais orgulhoso e está contente por ter desenvolvido a sua “criatividade” e não ter sido estigmatizado no seu personagem como professor Girafales.
Embora tenha admitido, com um sorriso de resignação, que lhe “pagam muito melhor por ser o professor Girafales, do que por ser Rubén Aguirre”.

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