Cultura

Rumbas e fatos de Bangão desfilam no Show do Mês

Honorato Silva

Em vida, Bangão seria, seguramente, uma presença obrigatória entre os cabeças de cartaz do Show do Mês, projecto cultural da produtora Nova Energia, que homenageia hoje e amanhã, a partir das 21h00, no anfiteatro do Royal Plaza Hotel, em Talatona, o cultor da rumba angolana.

Êxitos musicais do autor de “Kakixaka” são recordados esta noite e amanhã no Show do Mês
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

“Cantar Bangão-Cuidado” é o desafio lançado a Chilola Almeida, Mister Kim, Bangãozinho, Guilhermino e Zé Manico, com o suporte da banda formada por músicos e instrumentistas de Angola, Cuba e Portugal, reforçada por Diogo Sebastião “Kintino”, conhecedor do percurso artístico do autor dos sucessos “Sembele” e “Kibuikila”.
Pelo palco da sala que acolhe, desde 2015, os concertos intimistas, vão desfilar, além das melodias e da harmonia rítmica que marcaram os 36 anos de carreira de Bernar-do Jorge Martins Correia, os fatos, chapéus e outros adereços exibidos por Bangão, nos espectáculos, performan-ce marcada pela postura e a forma de encarar e interagir com os fãs.
As duas noites de concerto vão ser preenchidas por canções extraídas dos discos “Sembele” (1992), “Cuidado” (2005) e “Estou de Volta” (2013), na sua maioria em kimbundu, verdadei-ros relatos do quotidiano, com destaque para anseios e perdas pessoais, bem co-mo desafectos e frustrações amorosas.
Em 15 dias de ensaios, os intérpretes escolhidos preparam ao detalhe a homenagem ao rei da rumba angolana. Bangãozinho tenta igualar a indumentária, a expressão gestual, o timbre e o posicionamento de voz da estrela que enchia as pistas de dança com “Kakixaka”, Kambadiami”,  “Dioguito”, “Calumba Seleta” e “Fofucho”.
De acordo com a Nova Energia, a venda dos bilhetes, disponíveis na Discoteca Stromp e no Royal Plaza Hotel, ao preço de 13 mil kwanzas, atingiram na segunda-feira o “nível vermelho”, lotação dos 500 (quinhentos) lugares do anfiteatro.

Percurso brilhante
Nascido no Sambizanga, na rua do Centro Cultural Kudissanga-Kuá-Makamba, no emblemático bairro Brás, Bangão, falecido em Maio de 2015, na África do Sul, começou a sua carreira em 1974, integrado no “Agrupamento Tradição”, com Kintino (viola solo), Zé Abílio (viola ritmo), Alaíto (tumbas) e André Lua (voz).
 De 1976 a 1977, escreveu o jornalista e crítico musical Jomo Fortunato, no Jornal de Angola, Bernardo Jorge integrou como vocalista o grupo “Progresso de África”, ao lado de Guncha (tumbas), Artur Décimo (viola baixo), Kintino  (viola solo), Abílio  (viola ritmo) e Alaíto (bateria). Em Outubro de 1978, estreou-se no palco da “Tourada”, com o suporte do agrupamento “Gingas”, liderado por Duia, exímio guitarrista.
A emboscada sofrida pelos “Gingas” em Cassoalala, próximo de Luanda, em 1989, na qual morreram, António Joaquim Francisco  (viola solo) e Dioguito (viola ritmo), afastou Bangão do meio artístico durante seis meses, regressando depois como colaborador da banda “21 de Janeiro” da FAPA/DAA.
“Cuidado” é a obra paradigmática do músico e compositor, que em “Estou de Volta” juntou instrumentistas de créditos firmados, como Kintino, Nelo Paim, Sissy Lemos e Betinho Feijó. Entre inéditos e reedições, o duplo disco comporta 17 músicas em cada um.
Quanto a prémios, Bangão, vencedor do Top dos Mais Queridos da Rádio Nacional de Angola, em 2005, venceu o Prémio Liceu Vieira Dias  (1996), Semba de Ouro  (1999), Música do Ano com “Fofucho” e Voz do Ano, em 2003, no Top Rádio Luanda.

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