Sacerdote lança dicionários

Alberto Coelho | Cabinda
7 de Janeiro, 2016

Fotografia: José Soares | Cabinda

Os alunos e amantes da língua regional de Cabinda acabam de ganhar um novo instrumento para o ensino e aprendizagem com o lançamento naquela província de dois dicionários, um geral e outro de verbos em Português e Ibinda, da autoria do Padre José Silvino Mazunga.

A cerimónia de lançamento decorreu no Instituto Politécnico João Paulo II e foi presenciada pelo Administrador Apostólico da Diocese de Cabinda e Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, Dom Filomeno Vieira Dias, membros do governo provincial, padres, religiosas e convidados.
O autor considera que os glossários são fruto de um trabalho conjunto de homens e mulheres que descobriram a importância e a necessidade imperiosa de ter algo escrito sobre a língua Ibinda.
“A minha palavra é de agradecimento a todos aqueles que se empenharam para que, neste momento, estivéssemos aqui para este singelo acto, mas que se reveste de extrema importância para nós e para a Humanidade”, destacou na ocasião.
O Padre José Silvino Mazunga dedicou um agradecimento especial a Dom Filomeno Vieira Dias por este ter acreditado firmemente no seu trabalho, dando-lhe o apoio possível.
Segundo o prelado Mazunga, os dicionários de Português e Ibinda, que surgem como uma ajuda para a aprendizagem elementar, é um trabalho de base que pretende aperfeiçoar em outras edições. “Por isso, recebemos todas as críticas para o seu melhoramento”, frisou.
Em entrevista ao Jornal de Angola, o Padre José Silvino Mazunga disse que as razões que o levaram a editar as obras têm a ver com a necessidade de dedicar uma investigação sobre o Ibinda para não deixar esta língua cair em desuso.
“Vamos definir as suas regras escritas porque na oralidade falamos à nossa maneira, mas o escrito permanece e leva também a várias interrogações”, frisou. De acordo com o autor, foram necessários cinco anos de aturado trabalho de investigação, com recolha de dados nos mercados, táxis e entrevistas a gente simples e não só que usam o Ibinda como língua de comunicação, para elaborar as obras.
O Arcebispo de Luanda, que prefaciou os dicionários, considerou que as obras representam o primeiro esforço reflexivo sobre o Português e Ibinda.
“Podemos considerar este trabalho como ponto de partida de uma obra progressiva destinada a crescer no tempo e com o tempo, quer pelo dinamismo próprio de cada língua, que se constrói no tempo, quer pela existência dos saberes”, lê-se na nota de apresentação de Dom Filomeno Vieira Dias.

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