Cultura

Salif Keita vai actuar no almoço de investidura

Roque Silva |

O músico e compositor Salif Keita actua, hoje à tarde, no Palácio Presidencial, na Cidade Alta, durante o almoço de investidura de João Lourenço como novo Presidente da República.

Ícone da música africana e mundial na capital angolana para duas apresentações
Fotografia: Simon Maina | AFP

O cantor maliano, desde o princípio da tarde de ontem na capital angolana, proveniente dos Estados Unidos, deve cantar dois a três temas do seu vasto repertório, naquela que é a primeira aparição pública.
A curta, mas prestimosa actuação do artista maliano  visa coroar a cerimónia do quadro do programa de investidura e cumpre ainda com alguns desígnios do terceiro Presidente da República que é um apreciador e conhecedor de arte, informou ontem ao Jornal de Angola o director da produtora LS Republicano, empresa responsável pelo vinda do cantor.
Fernando Republicano disse que estão ainda previstas actuações de Yola Semedo, Carlos Lamartine, Kyaku Kyadaff e de Matias Damásio no almoço.
Salif Keita realiza amanhã às 20h30, no Centro de Conferência de Belas, um concerto disponível para os apreciadores da sua música, onde estão igualmente confirmadas a participação de Felipe Mukenga, Carlos Burity, Calabeto e Yola Semedo.
O músico e compositor faz uma performance de uma hora e cada cantor angolano 20 minutos para o concerto, cujos bilhetes estão a ser comercializados nos locais habituais por três, cinco e 10 mil kwanzas.
Após o compromisso em Luanda, Salif Keita parte no dia seguinte para a África do Sul, onde participa no mesmo dia num Festival de Jazz, e canta domingo em Bamako, capital da sua terra natal (Mali).
Segundo Fernando Republicano, a presença de Salif Keita em Luanda, com uma banda de 12 elementos, marca o início de uma aposta da produtora LS Republicano com concertos de ícones da música africana.
Referiu que a empresa prevê realizar nos próximos meses concertos do compositor, intérprete e músico senegalês Youssou N’ Dour e do congolês Lokwa Kanza.
“Viajamos um pouco pelos Kassav, Tabanka Djaz e Livity e depois de um tempo longínquo decidimos apostar pelos maiores monstros da música africana. Temos feito esforços titânicos apesar da nossa situação financeira difícil que o país enfrenta, mas quando mais fazemos suavizamos as dificuldades por que passamos”, disse.
Conhecido como a Voz de Ouro de África, o autor dos sucessos “Madan”, “Yamore” e “Souvent”, Salif Keita regressa a Angola 17 anos depois de ter actuado no Karl Marx, como cartaz do 7º Festival da Canção de Luanda.
Nascido em Djoliba, Salif Keita é  descendente directo de Sundiata Keita, o fundador do Império Mali. Por pertencer a esta linhagem, Keita nunca deveria ser um cantor, que é uma função desempenhada por Griots.
Herdeiro do Império Mali, o cantor luta contra o preconceito. Nascido aos 25 de Agosto de 1949 em Djoliba, em Bamako, Salif Keita é descendente directo do fundador do Império Mali, Sundiata Keita. O músico foi ostracizado devido ao seu albinismo que é um sinal de azar na cultura Mandinka, abandonou a terra natal e foi viver em Bamako em 1967 para se juntar a banda local Super Rail Band. Juntou-se a banda Les Ambassadeurs em 1973 e juntamente fugiram da instabilidade política do país, em meados de 70, para Abidjan, Costa do Marfim, mudando o nome da banda para Les Ambassadeurs Internationales. A banda ganhou reputação internacional  e em 1977 Keita recebeu o prêmio National Order do presidente da Guiné. A sua música é uma mistura de estilos de música tradicional da África Ocidental, Europa e América e no entanto mantendo estilo de música islâmica. Salif Keita é autor de mais de 15 álbuns de originais.

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