São Paulo recebe maior retrospectiva de Dalí


23 de Outubro, 2014

A maior retrospectiva já feita na América Latina sobre o génio surrealista Salvador Dalí desembarcou na cidade de São Paulo depois de ter conquistado o público do Rio de Janeiro, onde recebeu quase um milhão de visitas.

Com 24 óleos, 135 desenhos, ilustrações e vários documentos, a exposição “Salvador Dalí” abriu as portas no Instituto Tomie Ohtake, onde vai permanecer aberta ao público até 11 de Janeiro de 2015.
Perante um conjunto de fotografias que imortalizam Dalí a brincar com o seu bigode, a curadora Montse Aguer explicou à Agência Efe que a mostra procura apresentar o génio catalão “como um artista total, não só como um pintor, mas também como escritor, cineasta, cenógrafo e ilustrador”.
Para isso, a exposição levou ao Brasil a faceta menos conhecida de Dalí, com jóias como as gravuras que o pintor realizou em 1969 para acompanhar o conto “Alice no País da Maravilhas”, de Lewis Carroll, ou uma série de flores e frutas com formas humanas. Do academicíssimo ao impressionismo, passando por telas que bebem nos cubistas Picasso, Braque ou Juan Gris, a antologia daliniana - como o próprio artista - movimenta-se entre a tradição e a vanguarda, guardando espaço para todos os gostos.
“Estão presentes todos os Dalís”, comentou Aguer, que destacou o Dalí “que quer apagar as linhas entre a alta cultura e a cultura de massas”.
Embora predominem as pinceladas pastosas e as figuras alongadas da sua faceta surrealista, a mostra também expõe obras da juventude, da época americana ou da sua paixão pela ciência para dar ao visitante, como disse Aguer, “uma boa ideia da evolução artística de Salvador Dalí”.
Com rascunhos que se aproximam do automatismo e quadros que propõem a abstracção, a exibição aposta no reforço da vertente literária do pintor que, de acordo com Aguer, também foi “um grande escritor”. Uma série de litografias para “Dom Quixote” e ilustrações para “Fausto” e “O velho e o Mar” contrastam com anúncios publicitários de chocolates, um remédio e uma linha aérea protagonizados pelo mediático artista.
Mas também não podiam faltar as múltiplas referências a Gala, a sua musa e esposa, aos relógios derretidos, transformados já num ícone da história da arte, ou a sua amada paisagem natal, sobre a qual chegou a afirmar: “eu sou o Cabo de Creus”.
A exibição é completada por fotogramas dos filmes “Un chien andalou” e “L’Age d’Or”, de Luis Buñuel, nos quais Dalí participou. Como anotação final, uma reprodução do famoso “Rosto de Mae West utilizado como apartamento”.
“O nosso propósito é mostrar como o Dalí personagem é uma construção e, definitivamente, é mais uma obra de Salvador Dalí”, realçou Aguer.
A exposição inclui obras do Museu Rainha Sofia de Madrid, a Fundação Gala-Salvador Dalí e o Museu Salvador Dalí de São Petersburgo da Florida.

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