Cultura

Secretário de Estado defende baixa dos preços dos livros

Mário Cohen | *

O Ministério da Cultura está a desenvolver um trabalho árduo para tornar os livros mais baratos e fomentar o hábito de leitura, anunciou, ontem, em Luanda, o secretário de Estado para as Indústrias Culturais, João Constantino.

João Constantino garante que está a ser feito um trabalho para que os livros sejam mais baratos
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Falando por ocasião do Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, que ontem se assinalou, João Constantino avançou que este é um trabalho que está a ser feito, embora mereça cada vez mais atenção.

Segundo o secretário de Estado para as Indústrias Culturais, com o recente despacho do Presidente da República sobre a Política do Livro, é pretensão daquele departamento ministerial encontrar medidas e mecanismos para tornar um facto a redução dos preços dos livros.
“O livro hoje tem muitos concorrentes, assim sendo, existe a necessidade de criação de programas específicos de incentivo à leitura para fomentar o gosto pela literatura desde tenra idade”, disse o governante.
Para que assim ocorra, disse, são necessários mais escritores e mais recursos para tornar os livros mais baratos.

Oferta de livros

Inserido no programa da efeméride, o Ministério da Cultura, através do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), ofereceu, ontem, em Luanda, às escolas nº 1211, conhecida por Escola da Liga Africana, e Anangola, um lote de 112 livros de 16 títulos de autores nacionais.
Os livros foram doados pelo secretário de Estado para as Indústrias Culturais, João Constantino, com a finalidade de apetrechar as bibliotecas dos dois estabelecimentos do ensino. O governante prometeu aos estudantes visitar em breve as bibliotecas com vista a se inteirar do proveito que estão a tirar do material de leitura doado.
Dos livros oferecidos constam, entre outros, “Os Animais de Duas Gibas”, de Maria Eugénia Neto, “Vamos Fazer Teatro”, de Dario de Melo, “A Celeste e a Dona Acácia”, de Rosalinda de Lima, “Pássaro na Galhofa”, de Lito Silva, e “O Pano”, de Rosalina de Carvalho. Foram, igualmente, doadas obras de Fragata de Morais, João Rosa Santos, Octávio Correia, Zulmira Bumba, Amélia da Lomba, António Quino e Akiz Neto.

Incentivo aos professores

Amélia da Lomba exortou, ontem, em Luanda, aos professores do ensino público para abordarem mais a vida e obras de autores angolanos aos alunos, principalmente dos que se dedicam à escrita para crianças.
A escritora, que fez essa exortação, na Liga Africana, à margem da palestra sobre o Dia Mundial do Livro e do Direitos de Autor, acrescentou que o livro é uma grande ferramenta do saber para qualquer indivíduo e que sem ele “teríamos muitos problemas.”
Falando para uma plateia de 150 estudantes das escolas nº 1211 e Anangola, Amélia da Lomba aconselhou as crianças a lerem livros infantis com ilustração para cultivarem hábitos de leitura.
Para a escritora, os professores devem ter iniciativa de ajudar as crianças a cultivarem hábitos de leitura, falando de algumas obras de autores nacionais durante as aulas.
A autora, que defende que a Bíblia Sagrada é um livro muito importante para a vida das pessoas, aconselhou os alunos a lerem de Maria Eugénia Neto, uma das grandes escritoras da literatura infantil em Angola e viúva de Agostinho Neto.
Na ocasião, Amélia da Lomba ofereceu às biblitecas das duas escolas um lote de 40 livros da sua colecção.
O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é comemorado todos os anos no dia 23 de Abril, e organizado pela UNESCO para promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a protecção dos direitos autorais. O dia foi criado na XXVIII Conferência Geral da UNESCO que ocorreu entre 25 de Outubro e 16 de Novembro de 1995.
O 23 de Abril foi escolhido porque nesta data do ano de 1616 morreram Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Garcilaso de la Vega. Para além disto, nesta data, em outros anos, também nasceram ou morreram outros escritores importantes como Maurice Druon, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vallejo.
*Com Angop

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