Cultura

Segredos do “Quarto” abre a festa no Cazenga

Manuel Albano |*

A 13.ª edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca) abre hoje, às 18h00, no Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’art), com a exibição do espectáculo “O Quarto” do grupo moçambicano Girassol.

Festival tem ajudado os grupos de teatro a consolidarem o intercâmbio cultural
Fotografia: Edições Novembro

“O Quarto” é uma peça intimista que retrata o diálogo desencontrado de um casal heterossexual, no contexto cultural moçambicano, sobre o tema da homossexualidade, esquivado por vários sectores sociais, por recearem a estigmatização.
A peça aborda o tema da contradição, entre o amor verdadeiro e as convenções sociais, entre o segredo e a abertura, entre o silêncio e o amor-próprio, entre a mentira e a busca da felicidade.
Este ano, por questões de ordem financeira e logística, houve necessidade de fazer-se a redução dos grupos nacionais e estrangeiros participantes no Festeca, que decorre até ao próximo dia 29, por forma a garantir-se a regularidade e a realização desta edição, afirmou, ontem em Luanda o director do festival.
Nem mesmo a crise, disse Orlando Domingos, “baixou o espírito activo da organização que todos os anos consegue congregar em Luanda actores de prestigiados grupos e companhias de diferentes países.”
Orlando Domingos disse que nesta edição vão participar grupos de teatro e companhias internacionais, no-meadamente  Letras de Rosa do Brasil; Fladu Flá de Cabo Verde; Marabou, do Congo Democrático; Girassol, Retratistas e Nguenhá de Moçambique; JGM de Portuga e Sorrisos Negros de São Tomé e Príncipe. Desde 2016 que a crise fez com que o Festeca se realizasse com a presença de menos grupos, por falta de capacidade de dar respostas às candidaturas, como reconhece o mentor do projecto.
Este ano, o festival vai decorrer sobre o lema “A pedagogia no teatro”, com o objectivo de  consolidar as relações entre grupos nacionais e es-trangeiros, sendo a cerimónia de abertura presidida por um representante do Ministério da Cultura.
Orlando Domingos assegurou que o Festeca tem sido “uma oportunidade para promover, valorizar e divulgar as artes cénicas, em particular o teatro, e a cultura angolana, no geral”, o que tem permitido mostrar aos grupos internacionais a realidade artística angolana.
Apesar de as dificulda-des financeiras constituírem constrangimentos ao longo dos últimos anos, Orlando Domingos garantiu que o festival tem sobrevivido com vários apoios, destacando o sector privado que tem sido um parceiro estratégico.
O critério de escolha, esclareceu, baseou-se “na minimização de custos e maximização de resultados, facto que leva ao afastamento de companhias com grandes exigências técnicas, um número elevado de membros e muita complexidade na produção.”

Estreantes do Festeca

A companhia Sorriso Negro, de São Tomé e Príncipe, e a Marabou, do Congo Democrático, participam pela primeira vez no Festeca. A for-
mação e o intercâmbio são como divisas do festival e, nesta edição, o Festeca abarca uma acção formativa virada para a economia de recursos no palco e nos grupos, para poder ajudar os colectivos a pensarem em viajar com um ou dois actores. João dos Santos, de Portugal, Renato TouzPin, do Brasil, e Juelce Beija Flor, de São Tomé e Príncipe, vão ser os prelectores.
Este ano, o Festeca vai homenagear as parcerias do festival, nomeadamente a Companhia de Teatro Girassol de Moçambique, que organiza o Festival Internacional de Teatro de Inverno (FITI), e o director da Companhia JGM, João Garcia dos Santos, doutor em Artes Performativas.
A Rádio Cazenga e o Gabinete Técnico de Reconversão Urbana do Cazenga, Sambizanga e Rangel vão receber também um reconhecimento público pelo apoio que prestam ao Festeca. O destaques desta edição vai para a outor-ga de troféus aos grupos com trabalhos mais conseguidos e a distinção do Malhor Actor e Atriz, bem como de Melhor Espectáculo no encerramento.
Para os colaboradores Globo Dikulu e o Anim’art, a estratégia passa por continuar a apostar num trabalho de parcerias, como sublinha Orlando Domingos, para se continuar a incentivar o interesse de companhias estrangeiras em participar no Festival de teatro do Cazenga.

*Com António Kapapa

Tempo

Multimédia