Cultura

Segundo volume chega ao mercado

Nelson Mandela “Madiba” deixou antes de morrer, em Dezembro de 2003, o manuscrito de “Dare Not Linger” por acabar, apesar de ter começado a trabalhar neste livro centrado nos anos em que ocupou a Presidência da África do Sul (1994-1999) quando era ainda Chefe de Estado.

Livro já foi adaptado para o cinema
Fotografia: Edições Novembro

Agora, os que esperavam há muito por este segundo volume das suas memórias - o primeiro é o best-seller “Um Longo Caminho para a Liberdade”, já adaptado ao cinema e com Idris Elba no papel do histórico líder africano - têm motivos para festejar.
“Dare Not Linger” tem lançamento marcado para o último trimestre deste ano, garante o diário britânico “The Guardian”, e deve a sua publicação ao trabalho de Mandla Langa, o poeta e romancista que pegou nos escritos de Nelson Mandela sobre os anos que passou à frente do país e juntou-lhe o material de arquivo (notas de reuniões e de agendas pessoais, discursos, documentos de trabalho) que foi encontrando sobre a Presidência daquele que é um dos políticos mais icónicos do século XX.
“Ele tinha escrito qualquer coisa como 70 mil palavras, o que, noutros casos, seria considerado um manuscrito completo. Mas queria escrever muito mais”, disse ao “The Guardian” Mandla Langa, o autor de “The Lost Colours of the Chameleon”, admitindo que começou por achar que era demasiado assustadora a tarefa de dar por terminadas as memórias de Nelson Mandela por temer que as suas intervenções viessem a silenciar as palavras do homem que é o rosto da luta contra o apartheid. Diz o autor que tudo fez para que a “voz” do antigo Presidente “brilhasse o mais possível através da escrita”.
Para a editora encarregue da publicação, Georgina Morley, da Macmillan, o esforço de Mandla Langa compensou: “[Dare Not Linger] é o mais próximo que alguma vez estaremos de uma sequela verdadeiramente autobiográfica de ‘Um Longo Caminho para a Liberdade’.”
No primeiro volume das suas memórias, Nelson Mandela concentra-se na juventude, do início do seu activismo cívico e político, aos anos em que viveu na clandestinidade, período dramático que em 1964 haveria de conduzi-lo à prisão, onde ficou 25 anos, terminando nas primeiras eleições multi-raciais da África do Sul, em Abril de 1994.
Preocupado em dar um retrato tão fiel e completo quanto possível do contexto em que chega à Presidência de um país que vivera cinco décadas de apartheid, Mandla Langa optou por começar “Dare Not Linger” em 1993, nas vésperas das eleições, as primeiras em que a comunidade negra foi chamada a votar, acompanha-o depois na corrida presidencial e no Governo, quando leva a cabo um ambicioso programa de reformas que garante a transição da África do Sul para a democracia.
Nascido na África do Sul em 1950, Mandla Langa também se envolveu na luta contra o apartheid  e passou a viver no exílio depois de ter sido preso em 1976, transformando-se no representante cultural do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido de Nelson Mandela, em Londres.
É por causa deste passado, mas também do seu conhecimento profundo da realidade sul-africana, que o autor de “The Lost Colours of the Chameleon” era a pessoa ideal para acabar estas memórias, defende a editora Macmillan. “Ele traz uma perspectiva perspicaz sobre a África do Sul e sobre política da África do Sul, assim como sobre o que é ser negro e viver no apartheid. Muitos dos relatos que temos deste período são escritos por comentadores brancos”.
Na página da Macmillan, a capa de “Dare Not Linger” ainda não está disponível, mas a breve sinopse que o anuncia faz regressar ao primeiro volume de memórias de Nelson Mandela, para lembrar que o livro que Mandla Langa deu por terminado é a continuação de uma história cuja leitura já começou.

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