Cultura

Semba é candidato a Património Imaterial

Garrido Fragoso

O Semba vai ser candidato a Património Imaterial da Humanidade. A informação foi dada ontem, em Luanda, pela ministra da Cultura, no final da  reunião da Comissão Nacional Multissectorial para a Salvaguarda do Património Cultural Mundial.

Ministra apresentou o projecto na reunião da comissão sobre o património cultural orientada pelo Vice-Presidente
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

O estilo musical Semba vai ser candidato a Património Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), anunciou ontem, em Luanda, a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.
A ministra da Cultura falava à imprensa no final da reunião da Comissão Nacional Multissectorial para a Salvaguarda do Património Cultural Mundial, que decorreu na Cidade Alta, orientada pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa.
Carolina Cerqueira indicou que os membros da comissão concluíram ser possível candidatar o Semba a Património Imaterial da Humanidade. “Há uma série de procedimentos legais que teremos de responder”, disse a ministra, apontando a elaboração de um relatório de fundamentação, que deve ser preparado com a ajuda de peritos, membros da sociedade civil e de instituições, como a Academia de Letras, e outras.
Ontem, a ministra anunciou que as fortalezas de São Pedro da Barra (Luanda), São Nicolau (Namibe) e da Catumbela (Benguela) estão incluídas numa lista de monumentos históricos escolhidos pelo Executivo para reabilitação.
Consta igualmente da lista a cadeia do Missombo, no Cuando Cubango, a vila histórica do Massangano (Cuanza-Norte), o cemitério do Ngola (Malanje) e o Museu de Arqueologia,  na província de  Benguela.
Carolina Cerqueira confirmou à imprensa que no programa de investimentos públicos para 2019 (PIP) também foi aprovada a construção do Memorial  do Teca Dia Kinda, na Baixa de Cassange, em Malanje, e dos memoriais do Edi (Cuanza-Sul), de Njinga Mbandi e da Batalha do Ambuíla (Bengo).
No quadro do Plano de Acção 2018-2022, a comissão debruçou-se sobre os trabalhos decorrentes do processo de inscrição e de classificação do Cuito Cuanavale, Tchitundo Hulo e do Corredor do Cuanza e também estimou, 2022, 2023 e 2024, como prazos indicativos para estes projectos serem submetidos à avaliação da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
A ministra declarou que estes investimentos foram feitos a pensar não só no incremento  do turismo no país, como para honrar a memória de figuras históricas que deram o seu melhor para Angola ser hoje um país independente e soberano.

Festikongo
Carolina Cerqueira anunciou  para os dias 7, 8, e 9 de Julho do próximo ano no país a realização de um grande festival de música “Festikongo”, para assinalar o segundo aniversário da aceitação de Mbanza Kongo como Património da Humanidade. O festival, acrescentou, vai contar com a participação de representantes do Congo, República Democrática do Congo,  alguns países da África Central como Gabão, Camarões, Chade e Guiné Equatorial, que já  confirmaram a presença. A ministra anunciou ainda que, no âmbito da Bienal da Paz, Angola vai transformar Mbanza Kongo numa das amostras da cultura africana e internacional.
Na reunião de ontem, segundo a ministra, também foi discutida a questão do ADN. Os membros da comissão defenderam a continuação dos estudos científicos em relação à pesquisa sobre o ADN para que a diáspora no exterior, sobretudo nas Américas,  encontre a génese africana, particularmente, a angolana.
Os membros disseram que dos 12 milhões de escravos saídos das costas africanas para as Américas a maioria era angolana. “Por isso, há todo o interesse sociológico, económico e do ponto de vista histórico na matéria, e para respondermos ao apelo da Unesco de fixar o próximo decénio como o da diáspora no Mundo, permitindo que os povos se encontrem e se aproximem cada vez mais”, afirmou a ministra.
Segundo a ministra da Cultura, existem no Uruguai muitas comunidades de origem angolana, mas ainda não existem convénios com aquele país para permitir estudar ou avaliar a situação das mesmas. “Há promessas de estudos conjuntos com o Benin, Ghana e outros países  da costa atlântica que se identificam com Angola”, acrescentou.
A ministra garante que, em Agosto do próximo ano, quando Angola participar na Conferência Internacional sobre a Rota de Escravos, em Coutonou (Benin), vão ser feitas mais aproximações e contactos para se obter matéria suficiente para a implementação do projecto.
Sobre as recomendações da Unesco em relação ao património cultural de Mbanza Kongo, o governador do Zaire, na qualidade de presidente da Comissão de Gestão do Património Mundial, disse que, entre as muitas questões, foi abordada a questão da transferência do Aeroporto de Mbanza Kongo, para a comuna de Nkiende, a 33 quilómetros da capital da província do Zaire.
“Esforços estão a ser envidados para, nos próximos anos, termos o empreendimento concluído”, garantiu Makita Júlia à imprensa no final da reunião que também apreciou a primeira versão do projecto de regulamento interno do Grupo Técnico da Comissão Multissectorial.
A reunião da comissão apreciou igualmente a Estratégia de Marketing e Comunicação sobre Património Mundial, documento que identifica um conjunto de acções a realizar para a promoção, no plano interno e externo, da política do Executivo para a preservação, valorização, conservação e divulgação do património cultural.

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