Seu Jorge e Ana Carolina levam o público ao delírio

Manuel Albano
8 de Maio, 2017

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Nostalgia, cor, alegria, emoção e intercâmbio cultural entre angolanos, cabo-verdianos e brasileiros foi o que se constatou durante a quinta edição do festival “Sons do Atlântico”, realizado sábado à noite, na Baía de Luanda.

Alguns dos maiores nomes da música angolana e internacional proporcionaram ao público de várias gerações momentos de muita emoção, num concerto interactivo, promovido pela Showbiz, empresa nacional de eventos e espectáculos, que trouxe para a presente edição nomes do panorama musical internacional como Ana Carolina, Seu Jorge, Nelson Freitas e Tito Paris, além dos nacionais Eduardo Paim, SSP, Yola Semedo, Ary, Nsoki, Puto Prata, Lil Saint e Cef.
Embora o festival tenha tido como cabeças de cartaz os cantores brasileiros e cabo-verdianos, que à sua medida corresponderam às expectativas, foram ainda assim os músicos nacionais que mais se evidenciaram.
O lendário grupo de rap SSP, formado na década de 90, foi um dos que mais conseguiu cativar o carinho do público, ao interpretarem sucessos como “Não vale a pena”, “Olhos café”,  “Canta comigo essa keta” e “Chama por mim”, “Eu só quero te amar”, “Etu mwangola”, “É bom”, “Táctica lírica”, “Abandalho”, “Te quero”, “Playa” e “Deus”.
Embora a condição física dos elementos do grupo já não seja a mesma da década de 1990,  na companhia dos seus companheiros de “luta”, Jeff Brown, Kudy e Paul G, ainda assim, conseguiram mostrar porque são considerados pioneiros do hip-hop em Angola.
O grupo não poupou esforços para brindar os seus admiradores com muita dança, acrobacias e muito boa música. Com uma actuação ao vivo, sem “play back”, o grupo recuou no tempo para fazer uma actuação de encher os olhos. Durante uma hora, os músicos conseguiram manter o público activo e sempre participativo.
“SSP, SSP,SSP...”, em uníssono os fãs por várias vezes chamavam   os grandes feitos do grupo numa época de afirmação, no início da década de 1990. “Muito obrigado pelo carinho. Isso é prova de que o grupo tem uma marca e deixou um legado positivo ao longo desses anos”, agradeceram os músicos durante a actuação. O grupo recebeu aprovação geral com o repertório baseado nos discos “99% de amor”, “Alfa”, “Odisseia”, “Amor e ódio” e “Momentos da trajectória”.
Sempre ao seu jeito, o músico Eduardo Paim, também conhecido por General Kambuengo, grande impulsionador da kizomba em Angola, aproveitou o momento para cantar alguns dos seus maiores sucessos, com destaque para “São saudades”, “Chiquitita”, “Minha vizinha” e “Rosa baila”. Apesar de ter confessado que “Rosa baila” nunca ter sido uma das suas predilectas, ainda assim reconheceu ser um dos seu maiores sucessos musicais.
Eduardo Paim anunciou que está a preparar, ainda para este ano, uma digressão pela Europa, América e o continente berço da humanidade, África, com vista a realizar vários espectáculos, uma vez que já pensa na produção de um novo disco.
Com um visual mais clássico e de certa forma moderada na sua maneira de se apresentar em palco, o público aplaudiu de forma alegre a brilhante exibição da cantora Ary, que em palco e sempre ao seu jeito interagia com os fãs, ora contando algumas piadas durante a actuação, ora recordando algumas brincadeiras de criança do antigamente.
Ary, divertida e alegre como só ela sabe ser, experimentou pela primeira vez tocar um instrumento convencional em palco, a dikanza, quando “invadiu” o território dos Irmãos Almeida, para interpretar uma das suas canções.
Yola Semedo, sempre sensual e com uma vocalização incrível,  não deixou os seus créditos em mãos alheias e mais uma vez  mostrou por que é considerada uma diva da música angolana.
A “mascote” dos Impactus 4 abriu o livro e fez questão de interpretar alguns dos seus melhores sucessos. No final da sua actuação, a cantora disse que já não está à procura de fama, mas sim de consolidar a sua carreira.
Seguiram-se ainda as actuações dos músicos Lil Saint, Nsoki, Puto Prata e Cef, por Angola, enquanto por Cabo Verde cantaram Nelson Freitas, Tito Paris, e pelo Brasil a dupla Ana Carolina e Seu Jorge, que encerrou o festival, levando ao delírio centenas de fãs, que não arredaram pé do local do espectáculo, que se estendeu pela madrugada de domingo. A marca de cerveja Tigra associou-se à festa do Banco Atlântico, ao criar no local vários momentos de lazer.

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