Subsídios financeiros para o Carnaval em Janeiro

Nilza Massango |
24 de Dezembro, 2015

Fotografia: Kindala Manuel

O director nacional da Acção Cultural do Ministério da Cultura anunciou ontem que os subsídios de apoio aos grupos participantes no carnaval de 2016 são disponibilizados no mês de Janeiro.

Carlos Vieira Lopes, que falava no Encontro Provincial do Carnaval, realizado ontem no Museu de História Natural, explicou que o orçamento aprovado de 800 mil dólares era insuficiente para cobrir as despesas dos grupos, o que levou o Ministério da Cultura a propor um aumento do valor com o Ministério das Finanças.
O director informou ainda que os materiais e adereços são distribuídos aos grupos a partir do dia 28, ao mesmo tempo que anunciou para o próximo ano, a realização de um Encontro Nacional sobre o Carnaval, onde participam todos os representantes dos governos provinciais, para analisar algumas questões relacionadas com o Entrudo, a aquisição de materiais, o aumento ou não dos prémios e as homenagens aos grupos.
Na abertura do encontro, a vice-governadora provincial para a área Política e Social, Jovelina Imperial, que é a coordenadora da Comissão Provincial do Carnaval de Luanda, defendeu a importância da aquisição de uma personalidade jurídica, por parte dos grupos, e apelou também ao empenho das administrações municipais no apoio a todos os agrupamentos das suas circunscrições.
Jovelina Imperial realçou a importância dos grupos aprimorarem os seus níveis de organização interna, procurar parcerias com instituições e profissionais para maior qualidade na canção e na dança, bem como na realização de acções que levem a obter rendimentos. 

Preservar a matriz

Ao intervir no encerramento do encontro, o secretário de Estado da Cultura sugeriu que encontros dessa natureza deviam ser realizados mais vezes e serem transformados em seminários para que se preserve a matriz do Carnaval de Luanda.
Cornélio Caley assegurou ter tomado boa nota das sugestões que resultaram do debate e lembrou o facto de o Carnaval de Luanda ser parte da história do país. “Foi através do carnaval que resistimos e começámos a esboçar a ideia de libertação nacional. Por isso, a sua matriz tem de ser preservada”, disse, avançando a ideia de um possível Carnaval Nacional no futuro.
O Ministério da Cultura, adiantou, está a amadurecer a ideia de realizar um Carnaval Nacional, no qual o vencedor de cada província e do ano anterior competem com o vencedor de Luanda. “Seria uma forma de vermos variantes de dança, canções e a unidade nacional reforçada, dentro da fórmula de ‘Cabinda ao Cunene’”, disse.
O secretário de Estado da Cultura elogiou o esforço de todos quantos se têm envolvido na realização do Carnaval de Luanda, que considerou uma marca nacional. “A responsabilidade pela ‘festa do povo’ é de cada um, além dos dirigentes dos grupos.”

Outros espaços


Caley defendeu a importância do aprofundamento do diálogo entre os grupos carnavalescos, que devem igualmente dialogar com o Governo Provincial e o Ministério da Cultura.
Noutra perspectiva e dada a configuração da cidade de Luanda, Cornélio Caley encorajou as administrações municipais a encontrarem espaços para que os grupos tenham possibilidade de treinar.
No final do encontro em que participaram membros dos grupos carnavalescos, ficou recomendada a criação de uma comissão para avaliação dos estilos de danças que se apresentam nos desfiles, de modo a preservar-se a matriz do Carnaval de Luanda e a melhorar os prémios de participação.
A realização regular dum encontro entre os grupos para falar sobre a Lei do Mecenato e acções de formação em liderança e gestão associativa, através de uma parceria com o Comité Olímpico Angolano, também foi proposta pelo dirigente.
Cornélio Caley recomendou ainda aos grupos procurarem, com o auxílio dos meios de comunicação social, dar maior divulgação às músicas do Carnaval, assim como as administrações municipais apoiarem mais os grupos, incentivando-os a construir as suas sedes.
O secretário de Estado da Cultura pediu também a criação de um grupo técnico, para reflectir sobre o retorno da música ao vivo nos desfiles de Carnaval. 
Os responsáveis dos grupos carnavalescos defenderam no encontro, entre outras preocupações, que a verba utilizada para importação de materiais deve ser avaliada e fazer parte do subsídio dado. A falta de sedes próprias também foi uma das preocupações apresentadas, assim como os preparativos do Carnaval de 2016.
Manuel da Rocha, presidente do União Sagrada Esperança do Rangel, vencedor da edição passada, disse que o grupo investiu na construção de uma sede, mas lamentou o facto de até agora não serem disponibilizados os subsídios e apoios, o que pode comprometer uma devida preparação para o Carnaval. 

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