Sundance defende maior aposta na diversidade


28 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação |

A 31ª edição do Festival de Cinema de Sundance, criado pelo actor e realizador Robert Redford, começou ontem com uma homenagem à memória das vítimas da violência registada este mês em Paris.

Depois de “Boyhood” e “Whiplash” se terem estreado no ano passado em Sundance e de estarem agora nomeados para o Óscar de melhor filme, o festival apresenta este ano ao logo de 11 dias 200 novos filmes.
O festival de cinema, que se realiza anualmente na cidade de Utah, EUA, pode voltar a ser marcado nesta edição pelo surgimento de carreiras e a concretização de negócios, que começaram logo no primeiro dia.
Três filmes marcaram a abertura do festival de cinema: os documentários “What Happened, Miss Simone?”, sobre a cantora de jazz Nina Simone, e “How to Change the World”, sobre as raízes da Greenpeace, e a comédia “The Bronze”, realizado com base na vida de uma antiga campeã de ginástica.
O programa inclui filmes que podem gerar alguma polémica, desde os sobre a Igreja da Cientologia, “Going Clear”, ou o líder mórmon Warren Jeffs, “Prophet’s Prey”, a relações amorosas entre os adolescentes e adultos, “Diary of a Teenage Girl”, mas também outros que abordam experiências psiquiátricas em presos, como as vistas em “Stanford Prison Experiment”.
As violações na universidade, um tema muito discutido nos últimos meses nos EUA, podem igualmente ser vistas em Sundance, com “The Hunting Ground”, ou a história verídica de um homossexual activista LGBT que decide contrariar a orientação sexual ajudado pela religião, em “I am Michael”. Há ainda filmes novos de Ewan McGregor sobre a tentação de Jesus pelo Diabo, “Last Days in the Desert”, a estreia do actor cómico Jason Segel na pele do escritor David Wallace, em “The End of the Tour”, e a muito aguardada estreia do biopic sobre Kurt Cobain, “Kurt Cobain: Montage of Heck”.
A apresentação habitual de Sundance, na qual se misturam mega produções que nasceram com cineastas independentes, como George Lucas, e novos rostos como Lena Dunham ou Mindy Kaling, músicos como Scott Weiland ou Iggy Azalea, novos filmes de Lily Tomlin, “Grandma”, o do encerramento, e o novo filme de Noah Baumbach, “Mistress America”, ou do actor cómico Jack Black, já atraem os cinéfelos. “Vão passar por Sundance muitos filmes que vão irritar as pessoas, mas isso não é grave, é a diversidade”, disse Robert Redford, na conferência de imprensa de abertura do festival baptizado em honra do faroeste “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (“Dois Homens e Um Destino”).
Robert Redford lembrou ainda que nestes 31 anos do festival a ideia sempre foi “usar a mudança para sublinhar a diversidade”. A diversidade, disse, é algo que move as coisas, a mudança é inevitável.
No ano em que o seu regresso ao ecrã como actor em “A walk in the woods” vai passar também por Sundance, o realizador considerou “muito estranho” ter um filme seu no seu festival.
Sobre as diferenças entre a indústria cinematográfica e televisiva, Robert Redford declarou que “o cinema está a encolher e hoje é cada vez mais difícil para um artista encontrar o caminho na sétima arte, enquanto a televisão avança muito mais depressa”. 

Realidade virtual

Os 11 filmes independentes, incluídos na mostra Nova Fronteira, que empregam a realidade virtual, constituem o maior número nesta categoria nas três décadas de história do festival de Sundance.
Os filmes são vistos com um equipamento audiovisual especial, que dão aos espectadores a sensação de serem também parte da acção.
Mas os filmes que usam a realidade virtual estão muito longe de se tornar na norma, pois os equipamentos que os projectam ainda não chegaram ao mercado de massas.
A Samsung começou em Dezembro a comercializar modelo Galaxy Gear VR, que utiliza seu smartphone Galaxy Note 4 para exibir os conteúdos de realidade virtual.
A Google oferece o dispositivo Cardboard VR para ser usado com smartphones. A versão para o consumidor dos dispositivos pioneiros Rift, da Oculus VR, propriedade do Facebook, ainda está a ser desenvolvida.
A mostra Nova Fronteira chega num momento de interesse crescente em Hollywood por esta tecnologia, já que cineastas e estúdios fazem experiências com a realidade virtual. “O cinema não era no início o foco principal, mas agora começa a despertar grande atenção”, destacou Brendan Iribe, director executivo da Oculus.
O atractivo da realidade virtual para a maioria dos cineastas está na simulação da presença física dos espectadores, que até agora apenas interagiram com o conteúdo como quem assiste uma história que se desenrola no momento na tela.
Em “Herders”, a curta-metragem do duo Felix & Paul, o espectador é colocado dentro de uma tenda típica de uma família mongol, enquanto em “Strangers: A Moment with Patrick Wilson”, o público senta-se ao lado de um músico que trabalha num estúdio.

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