Talento feminino distinguido no Camões

Mário Cohen
8 de Setembro, 2016

Fotografia: Paulino Damião

A história de gerações e o legado deixado, durante anos, pelo talento feminino na arte da tecelagem, são o tema da exposição “Tecendo Memórias”, de Maria Belmira, que está patente até ao dia 23, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda.

A exposição, aberta ao público na terça-feira, é o seu reconhecimento ao trabalho de mestres da tecelagem, como Marcela Costa e Ana Sousa Santos.
Nesta exposição, a artista utilizou diversas técnicas, com destaque para a aplicação em tecido e bordado, linho natural, algodão e cordas de sisal. O objectivo, conta, foi reinventar de forma harmoniosa, criativa e original, o “diálogo” entre a tradição e a modernidade, através de dez trabalhos produzidos nos últimos seis anos.
Obras intituladas “Encontro”, “Mascarado”, “Contextualização da Mulher Através dos Mitos”, “Motivos Etnográficos (desenho na areia dos Cokwe do Nordeste de Angola”, “Imaginação de Kni” e “Memórias”, são um convite para uma reflexão sobre a actual situação da mulher na sociedade angolana, assim como uma “viagem” pela diversidade da cultura nacional.
Na mostra, a artista retrata ainda o quotidiano da mulher e a sua relação com a natureza, procurando revelar a harmonia do ser humano no seu habitat. “São as vivências diárias, as emoções, mitos e as expressividades do corpo que ajudam a dar vida a esta mostra”, disse, acrescentando que procurou, com frequência, reafirmar a importância do elo entre o tradicional e o moderno.
“É uma visão global que pretende construir uma identidade, através da tapeçaria e uma forma de participar no resgate e valorização de técnicas tradicionais, mas a partir duma perspectiva contemporânea”, explicou Maria Belmira.
Para a artista, “Tecendo Memórias” é também a reconstrução da sua própria trajectória e uma homenagem a pessoas que influenciaram a sua vida. As marcas pessoais, defende, são um traço que ajuda a identificar qualquer cidadão de uma determinada época, num elo especial, carregado de emoções, sonhos e ambições. “A ideia é levar o público a ver aqueles que marcaram a construção das suas personalidades e identidades”, reforçou. Resultado de uma iniciativa do Centro Cultural Português, para saudar o Dia do Herói Nacional, “Tecendo Memórias” faz também uma homenagem aos criadores que fazem da arte o seu suporte de subsistência e valorização da memória colectiva dos angolanos.
Natural de Luanda, Maria Belmira concluiu, em 1985, o curso de Tear, Gravura, Desenho, Pintura e Cerâmica na Escola do “Barracão”, na capital. De 1988 a 1991, foi monitora do Tear, da Oficina Têxtil, da Escola Média de Artes Plásticas e do Instituto Nacional de Formação Artística e Cultural. Ao longo da sua carreira trabalhou também na Oficina Têxtil e Cerâmica da Escola Profissional de Ofícios Artísticos de Vila Nova de Cerveira, em Portugal.  Em 2011, concluiu a licenciatura em Estudos Culturais na Universidade Fernando Pessoa, na cidade do Porto.

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