Talentos nas artes recebem formação

Adriano de Melo|
2 de Janeiro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A formação de novos quadros e a capacitação dos artistas nacionais, nas mais diferentes artes, foi uma das apostas da Cultura no ano findo, que viu também o fortalecimento do intercâmbio artístico com outros países, em áreas como o teatro, música ou literatura.

Cursos de capacitação, seminários e oficinas de dança, teatro, música ou artes plásticas, estiveram, regularmente, ao longo do ano findo, na “agenda de trabalho” dos homens ligados à cultura nacional sob várias perspectivas temáticas.
A situação social da classe artística também foi um dos temas em análise e de preocupação das principais instituições ligadas às artes angolanas, que procuraram com as formações criar bases mais sólidas para a actividade artística.
A luta pela defesa dos direitos de autor e a explicação da sua importância na salvaguarda do produto artístico, em especial nesta era de globalização, em que a pirataria começa a conquistar mais espaço e a ter novos contornos, com a melhoria da tecnologia, também estiveram entre os pontos de destaque do sector em 2014.
A valorização do próprio produto artístico nacional, com particular destaque ao artesanato que, através de feiras, abriu portas aos artesãos angolanos e mostrou a possibilidade de se criar um mercado mais amplo, foi outra das apostas do sector no ano findo.
A literatura, com destaque para a destinada a crianças, também esteve em alta, pelas habituais feiras e jardins do livro que, como nas edições anteriores, conseguiram levar o livro até várias regiões do país, dentro da política do Executivo de massificar o livro e os hábitos de leitura.

Novos mercados

A conquista de novos mercados internacionais e parcerias, com maior incidência entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é o outro ganho da Cultura e das artes nacionais em 2014.
Os músicos, de duas gerações, com destaque para artistas como Yuri da Cunha, Paulo Flores, ou Anselmo Ralph, conseguiram impor-se em mercados como o brasileiro, português ou cabo-verdiano.
As artes plásticas também viram os jovens talentos despontar nestes mercados, com nomes como Kiluanji Kya Henda (cujas obras receberam vários elogios da crítica portuguesa) e Nástio Mosquito (eleito pelo “The Guardian” um dos dez artistas de relevo da nova geração em África), a serem as principais referências.
Esta geração, cheia de ideias e vontade de contribuir na divulgação da cultura nacional e do próprio país, através da crítica social, realçadas pelas tonalidades dos seus pincéis, teve ainda ao longo do ano outros nomes de destaque, que conquistaram ainda mais espaço além fronteiras, como Hildebrando de Melo, Lino Damião ou Marco Kabenda.
A CPLP continua a ser o palco dos artistas angolanos, na busca por outros mercados. Com o “Preço do Fato” e “Sujeito e Azarada”, o Pitabel e o Enigma, respectivamente, mostraram, novamente, o actual crescimento qualitativo das artes cénicas, no Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa (Festilip). O outro palco foi Cabo Verde que acolheu os espectáculos “Hotel Komarca” e “A Órfã do Rei”, do grupo Henrique Artes, durante o Festival de Teatro do Mindelo.

Mais palcos

Apesar do crescimento acentuado e da abertura e oportunidades do mercado artístico nacional, a falta de palcos condignos, em termos técnicos, estruturais e até mesmo para albergar o público, continuou a ser uma das principais preocupações dos grupos.
Sujeitos, na maioria das vezes, a palcos adaptados, os artistas angolanos têm procurado, a muito custo e com sucesso, realizar espectáculos de realce, que justifiquem o desenvolvimento actual das artes.
Esta dificuldade de falta de espaços adequados, que não se faz sentir somente na capital, mas em todo o país, é ainda prejudicada pelo fraco interesse dos empresários angolanos na classe artística, um quadro que o Ministério da Cultura tem lutado para mudar.

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