Tate coloca os arquivos de arte na Net


31 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

O Museu de Arte Moderna Tate realiza, ao longo do próximo ano, pela primeira vez, uma exposição online dos 52 mil objectos de arte, fotografias, cartas, cadernos de desenhos, os registos técnicos e outros materiais ligados à vida e obra de dezenas de artistas.

Entre os materiais da colecção, retirada de um milhão de objectos dos arquivos do museu, foram já disponibilizados, informou o “The Guardian”, trabalhos de artistas britânicos, com destaque para as fotografias de paisagens e cartas de amor do pintor Paul Nash, que serviu nas duas Guerras Mundiais, um vasto e detalhado leque de registos das esculturas de Bárbara Hepworth datados de 1925, e três mil fotografias de Nigel Henderson ligadas à cena jazz londrina dos anos 1950.
A direcção do museu informou ainda que nos “Tate Archives” encontram-se trabalhos de arte tão diversas de 1999 a 2005 ligados às obras do belga Francis Alÿs, Carl Andre ou Francis Bacon, como desenhos, poemas e fotografias, a correspondência e as cópias de documentos de Oskar Kokoschka (datados de entre 1904 a 1975).
Além destes objectos, o Tate tem ainda cartas e materiais ligados a pinturas do pré-rafaelita John Everett Millais, manuscritos, cartas e álbuns de fotografias da irmã de Virgínia Wolf, Vanessa Bell, do seu marido, Clive Bell, e do filho de ambos, Julian, materiais ligados à obra de Kurt Schwitters coligidos a partir de 1948 pela companheira do artista, que morreu nesse ano, e materiais pertencentes ou usados por William Turner, um dos mais celebrados artistas britânicos de sempre, pela criatividade das suas obras. “Há demasiado tempo que somos um tesouro escondido”, disse o director dos arquivos do Museu de Arte Moderna Tate, Adrian Glew. “É um tesouro nacional, mas destina-se ao enriquecimento de todo o mundo. Por isso gostávamos que chegasse a um público tão vasto quanto possível”, disse, acrescentando que muitos esboços e fotografias têm licenças e os direitos da “creative commons”, de forma a que toda a gente possa copiá-los e partilhá-los para usos não comerciais. 
Apesar de uma imensidão de objectos de arte, os seis mil agora disponíveis online são uma pequena gota de água, destacou Adrian Glew. “Representam 0,6 por cento da colecção”, recordou o responsável, explicando que o resto deve ficar disponível até ao próximo mês de Setembro. Em colaboração com a Zooniverse, a equipa da Universidade de Oxford especializada na construção de arquivos digitais, espera conseguir-se também fazer transcrições integrais de documentos manuscritos. Tal só é possível devido a uma bolsa de 2,5 milhões de euros da Lotaria britânica, com a qual se pagou a criação de infra-estruturas para a digitalização dos materiais.
Os documentos agora disponibilizados pela primeira vez começaram a lançar pequenas chispas entre os especialistas, como uma carta de Jacob Epstein, onde está patente o desdém do escultor pela arte de Churchill. O jornal “The Independent”, que já teve acesso a carta escrita por Epstein à sua filha Peggy Jean em 1948, destaca que nela o artista considera o ex-primeiro ministro, que foi membro da Real Academia e comprou três das suas pinturas, um “amador”.

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