As dificuldades levadas ao palco

Roque Silva |
12 de Julho, 2016

Fotografia: Yuri Nunes

As dificuldades enfrentadas pelos artistas, diariamente, foram retratadas traço-a-traço na peça “Piano sem tecto” apresentada, domingo, pela actriz brasileira Kattie Fagoti, convidada à primeira edição do Circuito Internacional de Teatro, que decorre na Centralidade do Kilamba, em Luanda.

“Piano sem tecto” conta a história de uma pianista desempregada, que encontra na rua o espaço ideal para desabafar sobre a sua situação social e mostrar o seu talento.
A peça - no estilo musical - propõe uma reflexão sobre as dificuldades que os artistas enfrentam para divulgarem os seus trabalhos.
O espectáculo vai ser também apresentado, no sábado, às 20h00, no Centro de Animação Artística do Cazenga, onde decorre a 11ª edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca).
A ideia da actriz é incentivar os criadores, para encontrarem estratégias que os leve a ultrapassar o quadro actual de muitas dificuldades, que se verifica no mundo.
A procura incansável de patrocínios e o desinteresse das pessoas pelas artes, que choca com o seu papel para o desenvolvimento do intelecto, são alguns dos aspectos narrados no monólogo de 55 minutos.
Como exemplo, Kattie Fagoti fala das casas que albergam concertos, festas de quintais, algumas das quais fracassadas, pois os artistas são remunerados pelos gestores dos respectivos espaços, o que desmotiva estudantes de arte a seguirem, seriamente, uma carreira artística.
“O piano não encontra um lugar na sociedade, razão pela qual vai morar na rua, onde mendiga pela sua sobrevivência”, disse a artista.
O espectáculo, organizado pelo Instituto Superior de Artes (Isartes), foi montado com o intuito de as pessoas reflectirem sobre o caminho que se pretende para as artes “pois elas quase perderam o seu lugar na sociedade actual, porque as pessoas acham que encontram tudo no interior de um telemóvel.”
Katite Fagoti lembrou que consumir cultura é fazer intercâmbio com outras formas de pensamento e de vida, um processo indissociável para o ser humano.
 “Infelizmente, é a realidade actual de muitos artistas, quer em África e Europa quer no Brasil.”
Residente na Alemanha, pretende estender a sua agenda aos países africanos.  A ausência de espaços condignos para se apresentar peças de teatro tem sido uma das questões que o Circuito Internacional de Teatro leva à reflexão do público e fazedores de teatro.

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