"Carta de uma Desconhecida" exibida no Talatona

Jomo Fortunato |
6 de Julho, 2015

Fotografia: Cedida

No âmbito da programação dos ante-projectos da III Trienal de Luanda, certame que este ano comemora, de Novembro de 2015 a Novembro de 2016, os quarenta anos da independência, a Fundação Sindika Dokolo e a produtora Beladona, exibem a peça “Carta de uma desconhecida”, baseada na obra do dramaturgo austríaco, Stefan Zweig, nos dias 10 e 11 de Julho de 2015, no Royal Plaza Hotel, no Talatona.

A arquitecta Marita Silva, Directora da Fundação Sindika Dokolo, falou da generalidade dos ante- projectos da III Trienal de Luanda nos seguintes termos:”É prematuro falar de uma programação concreta dos ante-projectos da III Trienal de Luanda.
No entanto, podemos destapar o véu, e anunciar que todos os projectos realizados em São Tomé e Príncipe, Porto, Lisboa, e Niterói, foram experiências que, numa linha de continuidade, serão reutilizadas na III Trienal de Luanda.
 Teremos, para além da exibição da “Carta de uma desconhecida”, de Stefan Zweig, várias semanas dedicadas à educação, foruns sobre comunicação e conhecimento, exposições, com a duração de três meses cada uma, concertos, e as habituais e muito concorridas conferências”. 
Segundo podemos ler na sinopse da peça: A “Carta de uma desconhecida” é escrita por uma mulher, em acto trágico antes do seu suicídio, ao único homem que amou. Este por sua vez sempre a desconheceu. Sandra Barata Belo interpreta a desconhecida, Félix Lozano, bailarino, o homem, atravessam o passado, presente e futuro vivendo os momentos escritos na carta. Há ainda um pianista que os observa, Luís Figueiredo, que compõe originais, toca e canta a tragédia que se advinha”. “Carta de uma desconhecida” tem na sua ficha técnica, a dramaturgia e encenação a cargo de Patrícia André e Sandra Barata Belo, na direcção de actores, Patrícia André, no elenco, Sandra Barata Belo e Félix Lozano, na música original, Luís Figueiredo, no cenário e desenho de luz, João Cachulo, nos figurinos, Ricardo Preto, e os actores angolanos, Meirinho Mendes e Raúl Rosário são os responsáveis, em Luanda, pela produção executiva da peça.

Dramaturgo

Stefan Zweig, escritor, romancista, poeta, dramaturgo, jornalista e biógrafo, austríaco de origem judaica, nasceu no dia 28 de Novembro de 1881, em Viena, e suicidou-se no dia 23 de Fevereiro de 1942, durante o seu exílio no Brasil, deprimido com a expansão da barbárie nazista pela Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Oriundo de uma família abastada, teve a oportunidade de estudar o que gostava, inclinando-se para a literatura, filosofia e história. Viajou muito e foi tradutor antes de começar a escrever. Publicou uma obra vastíssima, da qual “Carta de uma desconhecida” (1922), é uma das suas obras mais conhecidas, onde o autor descreve, com mestria, os sentimentos humanos e o drama das suas contradições.  Da década de 1920 e até sua morte, foi um dos escritores mais famosos e vendidos do mundo. “Carta de uma Desconhecida”, um dos livros mais aclamados de Stefan Zweig, traça o retrato psicológico, profundo, de uma mulher que amou sem ser amada. Uma relíquia literária onde o autor austríaco descreve, com mestria , os sentimentos humanos e o drama das suas contradições.

Depoimento

A actriz Sandra Barata Belo, principal protagonista da peça, falou da sua experiência de trabalho em Angola: “Foi com enorme prazer que aceitei o convite para participar na III Trienal de Luanda, a convite da Fundação Sindka Dokolo, meus parceiros na co-produção deste meu segundo espectáculo, do qual assumo a direção de produção e artística. Este convite surge na sequência de ter desenvolvido, espontaneamente, projectos com jovens actores angolanos, culminando na apresentação de um espetáculo, apresentado no Elinga , em 2014.
 Considero pertinente desenvolver projectos artísticos com, e em Angola, pois através da minha experiência, observei o enorme talento que estes jovens actores possuem, para além do seu desejo em concretizá-lo. Daí que seja notória a importância da Trienal de Luanda, na sociedade actual. Muito me orgulha, levar a minha mais recente criação a Luanda. “Carta de uma Desconhecida” é um espetáculo com uma forte carga dramática onde o tema central é a obsessão de um grande amor. É multi-disciplinar pois conta com uma actriz, um bailarino e um pianista. Todo o cenário é composto por “vídeo mapping” oferecendo uma linguagem contemporânea. Creio que temos a qualidade e sensibilidade certa para agradar o público luandense”.

Histórico


A educação ocupou um espaço importante em todas as fases da I Trienal de Luanda. O programa de educação com início em 2004, acolheu pelo programa de visitas escolares 30 000 alunos de 100 escolas do ensino primário, médio e universitário da cidade de Luanda inserindo-os em projectos educativos, com o objectivo de iniciar e familiarizar a população estudantil com o movimento artístico contemporâneo que produz a arte e a cultura de maneira sustentável através da educação. A estreita colaboração, entre a Fundação Sindika Dokolo e o universo estudantil do ensino primário, médio e universitário, permitiu o acesso gratuito e a participação de alunos e docentes nos ante-projectos da I Trienal de Luanda, ciclos de conferências, visitas à exposições e projectos cénicos - teatro, música, dança, propondo o contacto com grande parte da riqueza cultural e estética angolana, africana e internacional.  A iniciação à tecnologia criativa por meio de oficinas de arte de pintura, fotografia e vídeo levou a criação de 5 outdoors na cidade de Luanda com imagens seleccionadas de desenhos executados pelos alunos, bem como um poster impresso de 2500 unidades distribuidos nas escolas.

Filosofia


Partidários de uma leitura do fenómeno artístico e de gestão cultural suportada num permanente questionamento, a Fundação Sindika Dokolo persegue um método de intervenção, no domínio das artes, que articula as disciplinas tradicionais, sempre passíveis de novas leituras, com ferramentas de análise, e formas de abordagem teóricas, de feição multidisciplinar e multimédia. Foi assim na I Trienal de Luanda, em 2006, com a intervenção e exposição da cultura Lunda-Cokwe, uma posição que veio a ser reiterada com a participação de Angola na 52ª Bienal de Veneza, em 2007, onde a arte angolana conviveu, num mesmo pavilhão, com obras de artistas que figuram nas mais nobres pautas de prestígio universal. O epicentro e a nacionalidade desta intervenção é sempre o homem, enquanto entidade natural e cultural por excelência, ultrapassando as barreiras do preconceito e da “guetização” da cultura africana. Estamos perante uma forma de estar na cultura, que molda as formas espontâneas e intuitivas do ser-se africano, às exigências mais complexas do saber e da arte universal.

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