Cultura

Clássicos do teatro nacional são apresentados em Luanda

Manuel Albano

O espectáculo de teatro “Hotel Komarca” volta a ser exibido hoje, amanhã e domingo, pelas 20h00, no Elinga Teatro, em Luanda, pelo grupo Henrique Artes.

História de oito reclusos na cadeia transportado para o espaço cénico pelo Henrique Artes
Fotografia: DR

A tragicomédia, que completa 12 anos foi criado por Flávio Ferrão.

É uma das principais atracções das artes cénicas no país. As principais figuras da peça são os reclusos “Jurema”, “Tele Tubi”, “Boy Toy”, “Randol”, “Turbo”, “Betume” e “Tadeu”.
A peça conta a história de oito detidos, que passam os últimos minutos numa cela, através de uma ideia sobre as suas emoções, sonhos, tristezas e alegrias, mas sobretudo, o desejo de liberdade, por vias menos correctas.
Uma das cenas mais caricatas da peça são as várias formas “engenhosas” programadas pelos detidos para escaparem da cadeia. Considerada uma referência no país e no estrangeiro, “Hotel Komarca” continua a ser um clássico do teatro angolano, por carregar uma mensagem positiva e vitoriosa.
Além de Angola, a companhia já exibiu “Hotel Ko-marca” em Cabo Verde, no Festival do Mindelo, e, no Brasil, no Festival de Amostra Latino-americana Piauí, em São Paulo. O espectáculo recebeu no Rio de Janeiro o Prémio Revelação do Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa (FESTLIP).

“O Feiticeiro e o Inteligente”

O grupo Etu Lene exibe amanhã, às 20h00, na Escola da Jota, no Rangel, junto ao mercado dos Congolenses, o espectáculo de teatro “O Feiticeiro e o Inteligente”, também conhecido por “Kamba Mbiji”.
Encenado por Beto Cassua e Marcelina Afonso, o espectáculo narra várias cenas que envolvem o velho Saraiva (Avelino Viegas), soba de Pungo Andongo, que mata a mulher por se ter apaixonado pela própria filha, Melita. Atraída pela paixão de Melita, Pedrito pede a mão da rapariga, o que foi prontamente recusado pelo pai.
O velho Saraiva tinha de encontrar uma razão para Melita não sair de casa. Por isso, pede ao rapaz para num espaço curto de tempo lhe trazer um peixe que não fosse nem da água doce, nem da salgada. Se não o conseguisse era condenado ao maiombola (feitiço).
O encenador Beto Cassua disse ao Jornal de Angola ser intenção do grupo gravar a peça num cenário real, em Pungo Andongo, Malanje, dando-lhe uma nova roupagem, pois as duas grandes figuras do espectáculo ainda estão vivas: o feiticeiro e o inteligente.
O grupo Etu Lene fundado em 26 de Abril de 1993, por jovens católicos da capela de S. Luís, no distrito urbano do Rangel, estreou a peça “O Feiticeiro e o Inteligente”, em Maio de 1999, no programa “Em Cena” da Televisão Pública de Angola (TPA).

“Eternamente Virgem”

O Horizonte Njinga Mbande leva à cena, a partir de terça-feira até domingo, duas sessões, às 19h45 e às 21h30, no anfiteatro Njinga Mbande, da escola homónima, em Luanda, o espectáculo “Eternamente Virgem”, duran-te um ciclo de 12 exibições da peça.
O grupo, que tem usado o teatro para trabalhar activamente na mudança de mentalidade da sociedade, apresenta um espectáculo virado aos problemas relacionados com a vida conjugal dos casais, fundamentalmente dos jovens.
Com a exibição de “Eternamente Virgem”, a companhia ilustra uma tendência social, maioritariamente das mulheres, de que quando se escolhe muito o resultado pode não ser o que se espera. Desejada por muitos, a “Eternamente Virgem” não soube aproveitar as oportunidades da vida.
O conflito acaba por envolver tudo e todos. Uma decisão a tomar, mas o tempo nunca espera por ninguém. A peça, com cariz motivacional, mostra aos espectadores decisões importantes a tomar-se que não podem ser adiadas.
Os apreciadores do teatro do Horizonte Njinga Mbande vão ter mais uma vez a oportunidade de assistir à performance dos actores, numa peça que se prevê dinâmica a contar pela experiência dos protagonistas de uma das companhias de teatro mais aclamados no mercado naconal e internacional.

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