Diogo Infante estreia em peça de teatro


11 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

A peça “Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand, numa versão cénica e encenação de João Mota, protagonizada por Diogo Infante, estreou-se, no Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa.

Esta é a primeira peça que sobe à cena na sala do Rossio, desde a entrada oficial, no passado dia 2, de Tiago Rodrigues como director artístico do TNDM, sucedendo a João Mota.
Em palco estão 22 actores, alguns desdobrando-se em mais do que um papel. Diogo Infante que, neste palco, protagonizou “Rei Édipo”, de Sófocles, em 2010, um ano antes de “ser” Salieri, em “Amadeus”, de Peter Shaffer, é agora Cyrano de Bergerac.
A seu lado estão, entre outros, Sara Carinhas, no papel de Roxane, a bem amada de Cyrano, Virgílio Castelo, como conde de Guiche, e Alberto Villar, que se desdobra no “burguês” e em “Brissaille”. Villar regressa ao palco do Nacional 16 anos depois de ter sido o “supremo sacerdote” em “A real caçada ao sol”, de Shaffer, encenada por Carlos Avilez, em 1999. O poeta Nuno Júdice, que traduziu o original de Rostand, datado de 1897, alerta para o facto de, no texto, “tudo [parecer] uma comédia, desde o início”, embora “em breve a comédia se transforme em tragédia”, mesmo que nunca perca “a dimensão do cómico”.
Júdice destaca a complexidade da personagem Cyrano de Bergerac, que define como “herói e anti-herói”, e talvez “o mais falhado dos grandes heróis, mais ainda do que Dom Quixote, que talvez seja aquele de quem mais se aproxima, na grandeza e no ridículo”.
O autor português diz que a personagem desenhada por Rostand “faz-nos viver essa dupla dimensão: rimos dele mas receamo-lo; troçamos do seu nariz, mas ele impõe-nos respeito; somos levados a desejar que o amor por interposta pessoa se realize, mas sentimos algum alívio quando o jovem amado morre, deixando Roxana livre para que ele revele o seu segredo; e finalmente assistimos ao esforço patético em manter uma ficção que o faz sofrer até à morte, quando a revelação final se tornou inútil”.
A acção cénica desenrola-se na França do século XVII, em que Cyrano, um valente soldado, poeta, astrónomo, matemático, físico e espadachim invulgar, “sofre por amar intensamente a sua prima, Roxana, jovem, bela, emotiva, que tem como ideal de homem a beleza e o espírito”, escreve em nota o TNDM.

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