Cultura

Director do grupo Julu é sepultado amanhã

Mário Cohen |

O teatro angolano está de luto.

Encenador Lourenço Mateus faleceu numa altura em que finalizava a produção de um texto
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Morreu na terça-feira, vítima de doença, em Luanda, o director artístico e encenador do grupo Julu, Lourenço Mateus, cujo corpo é velado hoje à noite na Liga Africana, de onde parte do cortejo fúnebre para o cemitério do Benfica, onde é sepultado amanhã, às 10h00. A morte de Lourenço Mateus uma figura incontornável do teatro angolano, em geral, e do Julu, em particular, deixa um grande vazio nas artes dramáticas angolanas.
Manuel Teixeira, amigo e companheiro de longa data no Julu, disse ao Jornal de Angola que a morte de Lourenço Mateus é uma perda grande para o teatro nacional e para o seu grupo, principalmente, que o tinha como o motor, o pensador e o coordenador. “Ele era a pessoa que escrevia os textos do Julu. Nós apenas contribuíamos  com as nossas ideias para enriquecer mais a obra”, revela o actor.
Muito abalado em a notícia, Manuel Teixeira afirmou que o falecido era o “pai do grupo Julu” e um incansável homem ligado ao teatro, tendo dedicado vários anos em prol do desenvolvimento do teatro e produzido obras de qualidade não só dramáticas, mas também de carácter social e educativo.
A morte do director do Julu, disse Manuel Teixeira, deixou um grande vazio no grupo, justamente numa altura em que estava a finalizar a produção do texto intitulado “A Caminho para Solvência II”, cuja estreia está marcada para o próximo dia 28, com o objectivo de honrar a alma do falecido encenador.
Orlando Domingos, director do Festival Internacional do Teatro do Cazenga (Festeca), disse que recebeu a notícia da morte do Lourenço Mateus com muita tristeza, por acreditar que o falecido ainda tinha muito para dar ao teatro angolano. “Foi  um choque, particularmente para mim, por estar com ele nas actividades do Festeca, onde abordámos questões relacionadas com  a condição social dos artistas e a reforma dos fazedores de teatro.”
Acrescentou que a notícia da morte do encenador do Julu abalou toda a classe artística, “por perdemos uma pessoa da linha da frente no teatro nacional”, sublinhado que a morte de Lourenço Mateus surge como motivo de reflexão para a classe artística por se estar a perder grandes figuras, cujo legado merece maior atenção das gerações vindouras.
O Julu, explica Orlando Domingos, é um grupo de referência no país e parceiro Estado pelo que tem feito em prol do desenvolvimento do teatro comunitário, actuando em diversas áreas com o objectivo de sensibilizar a sociedade.
Lourenço Mateus deixou viúva e cinco filhos. É co-fundador do grupo, fundado em 1992, tendo criado diversas obras destinadas a sensibilizar as comunidades sobre os vários problemas que as afectava, com particular realce para o combate às doenças e cuidados a ter em campos minados.

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