Cultura

Espectáculo de teatro celebra duas décadas

Manuel Albano |

O espectáculo “Cassinda Não Volta atrás”, clássico do teatro angolano, do grupo Nguizane Tuxicane, celebra hoje duas décadas de existência, com a exibição da peça, às 20h00, no palco da Liga Africana, em Luanda.

A gala vai distinguir com diplomas de mérito actores do grupo e figuras ligadas à cultura
Fotografia: Edições Novembro |

Merecedora de rasgos elogios ao longo dos últimos 20 anos, por trazer uma abordagem sobre as barreiras entre a tradição e o moderno, a obra exibida pela primeira vez em 1997 foi escrita um ano antes por Hermenegildo de Aguiar e narra a história de Cassinda, um jovem da localidade do Lunje, no Huambo, que aceita as condições impostas pelo sogro, Namunda, para poder casar com a sua filha.
Namunda exige duas condições para autorizar que a filha Tchifole se case. A primeira é que, depois de casados, o genro e a filha devem ir viver em casa dele e a segunda é que, se ele morresse, o genro teria de ser enterrado, ainda que vivo, na mesma sepultura.
A cena desenrola-se em casa de Namunda, na presença de muitos interessados em casar-se com Tchifole. Os pretendentes desistem depois das condições impostas pelo pai, até que aparece Cassinda, rapaz que aceitou as obrigações do pai da amada. O espectáculo atinge o ponto mais alto com a morte de Namunda, depois do casamento de Cassinda e Tchifole.
O drama, que já ultrapassou fronteiras em 1999, no programa “Em Cena”, um projecto de promoção e divulgação do teatro nacional da Televisão Pública de Angola, continua atractivo e valoriza a cultura ovimbundo, procurando manter vivo o valor artístico da peça.
Na sua segunda geração de actores desde a sua fundação, a peça tem cumprido com o seu papel crucial, na busca do resgate dos valores culturais, disse, ao Jornal de Angola, o director artístico e encenador, Agostinho Cassoma.
A peça, explica o encenador, é também uma forma de preservar a cultura angolana e incentivar os grupos a apostarem mais em obras com conteúdos que permitam a valorização dos hábitos, costumes e culturas locais.

Distinções e homenagens
Durante esses anos de exibição, o espectáculo “Cassinda Não Volta Atrás” procura renovar os integrantes e actualizar sempre que possível os seus conteúdos, mas mantendo a sua originalidade.
O espectáculo, disse Agostinho Cassoma, é antecedido, às 19h30, de várias distinções a figuras ligadas à cultura, actores do grupo da antiga e nova geração, assim como a instituições públicas e privadas, com diplomas de mérito.
Uma das grande figuras a ser homenageada a título póstumo é o encenador do grupo Nguizane Tuxicane, Paulo Gaspar Miala, que se tornou conhecido pela encenação da  peça “Cassinda Não Volta Atrás”.
Paulo Miala, que também foi actor, morreu de doença em Dezembro de 2015, na capital do país, sendo sepultado no Cemitério de Santa Ana, em Luanda.
O talento que Paulo Gaspar Miala emprestou na peça, vai ser relembrado hoje pelos colegas, amigos e admiradores do espectáculo dramático, que já é uma referência obrigatória nas salas de teatro no país, particularmente em Luanda.
Em “Cassinda Não Volta Atrás”, Paulo Gaspar Miala interpretava o jovem Catchuco, um dos oponentes de Cassinda na luta pela mão de Tchifole, filha de Namunda.
O grupo Nguizani Tuxicane participou, em Abril deste mesmo ano, na quinta edição do Festival de Teatro da Paz (Festeapaz), que decorreu na Liga Africana, com este espectáculo.
O Nguizane Tuxicane foi criado a quatro de Fevereiro de 1995, por um grupo de jovens pertencentes à Paróquia de Nossa Senhora das Graças, afecta à Igreja Católica, no bairro da Precol, no distrito urbano do Rangel. Além destas obras, a agremiação já exibiu as peças “Infidelidade”, “Três Homens e Uma Mulher”, “A Minha Vocação” e “O Destino Que A Vida Me Deu”.

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