Cultura

Evolução do teatro fortalece relações entre grupos no país

Manuel Albano |

A evolução dos grupos de teatro na última década tem permitido unir e fortalecer as relações existentes entre os colectivos de arte, razão pelo qual foi destacado ontem, em Luanda, como um dos aspectos positivos, pelo encenador do Nguizane Tuxicane.

Grupo Pitabel exibe a peça “As trilogias de Missosso” baseada nos três volumes no romance homónimo do escritor Óscar Ribas
Fotografia: Jaimagens | Fotógrafo

Em declarações ao Jornal de Angola, Agostinho Cassoma considerou acima da média as actividades realizadas em 2017, cujo objectivo, entre outras, foi dinamizar o projecto de inclusão sociocultural e desportiva denominada “Clube Desportivo de Teatro de Luanda”.
O projecto, explicou o encenador, tem permitido todos os domingos, nas escolas Ngola Kiluanje e Njinga Mbande um convívio entre actores e encenadores com a realização de uma partida de futebol, para permitir uma maior coesão e fortalecimento dos artistas.
Agostinho Cassoma referiu que o Nguizane Tuxicane conseguiu concretizar em 2017 os projectos, em 80 por cento com destaque para a participação em vários festivais realizados internamente como o Festipaz, Circuito Internacional de Teatro e Festival de Teatro Olombangui no Bié. A cooperação no domínio da produção artística com os grupos de teatro Ima Ioso, Imbondeiro e Amazona tem permitiu criar uma maior coesão e partilha de ideias sobre matérias relacionadas com a criação artística, de acordo com Agostinho Cassoma.
A ideia do intercâmbio, adiantou o encenador, é permitir que cada grupo participa na produção do espectáculo do outro, por formas a diminuir a carregar psicológica e física dos actores e garantir apresentações com alguma qualidade técnica, fruto das exigências actuais dos espectadores. “Tem sido uma experiência agradável, por isso, pensamos continuar a dar continuidade no próximo ano”, assegurou o encenador.  
Para comemorar os 20 anos de existência do espectáculo “Cassinda não volta atrás”, clássico do teatro angolano, assinalados a 21 de Setembro, do grupo Nguizane Tuxicane homenageou o actor mais antigo, Sebastião Cristóvão Pedro “Cassinda”, ele que desempenha a personagem principal ao longo dessas duas décadas de existências da peça.
Foram ainda distinguidos com diplomas de mérito, o actor da obra Hermenegildo Aguiar, que escreveu um ano antes de ser exibida pela primeira vez em 1997, e Diogo Colombo (reformado), uma figura ligada à cultura, que muito contribuiu para o desenvolvimento das artes, em particular o teatro, enquanto esteve a exercer o cargo de chefe do departamento de arte da Direcção Nacional da Acção Cultural.

Incentivo institucional

A falta de salas apropriadas para a exibição de espectáculos de teatro e de outras expressões artísticas tem sido uma das dificuldades enfrentadas diariamente pelos grupos, ao longo desses anos de trabalho, é uma preocupação manifestada pela classe artística disse Tony Frampénio, director e encenador da companhia Enigma Teatro. Preocupado com essa situação e a questão profissionalismo no teatro angolano, Tony Frampénio aponta a necessidade da en­trada em vigor da Lei do Me­cenato, por formas a criar in­­centivos fiscais e permitir uma participação mais visível e actuante dos empresários no apoios às artes de forma generalizada no pais.
A criação de um fundo de apoio aos grupos, adiantou o director do Enigma Teatro, seria um dos caminhos para minimizar os principais problemas que a classe enfrenta.
Para dar resposta as essas inquietações, disse o encenador, ser preciso o envolvimento de todos, tendo enaltecido os esforços implementados pelo o Ministério da Cultura, na criação de políticas, que vão permitir dar uma outra dinâmica às artes no país.
Tony Frampênio elogiou o contributo da Trienal de Luanda, uma iniciativa cultural da Fundação Sindika Dokolo que tem permitido resgatar, preservar e divulgar as obras e os criadores angolanos.

Projecto Cultura para Todos


O encenador da companhia de Artes Pitabel, Adérito Ro­drigues, disse ontem ao Jornal de Angola, apesar da falta de verbas, uma situação conjuntural em que o país se en­contra, conseguiram realizar com êxito a segunda edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), en­quadrado no projecto “Cultura para To­dos”, iniciativa da Companhia de Teatro Pitabel, que se realizou de 1 de Julho a 17 de Setembro de 2017.
Adérito Rodrigues explicou que o festival internacional contemplou além exibições de peças de teatro e mesas-redondas e visitas a locais históricos. Outras das vantagens da iniciativa, sublinhou o responsável, foi permitir conhecer  as potencialidades artísticas e culturais dos outros países e divulgar o teatro angolano além-fronteiras, bem como homenagear o dramaturgo José Mena Abrantes, pelos 50 anos de teatro.
A segunda edição do Circuito Internacional de Tea­tro produziu um total de 48 es­pectáculos de teatro de grupos nacionais e inter­nacionais, onde participaram 1.125 actores, uma assistência de 11.115 espectadores, tendo sido utilizado duas salas de espectáculo: O Teatro Elinga e a Liga Africana, em Luanda.

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