Festival de teatro aberto no Cazenga

Roque Silva |
10 de Julho, 2016

Fotografia: Dombele Bernardo

Homenagens aos encenadores e actores das quatro gerações do teatro angolano e a apresentação da peça “O elevador”, pelo colectivo de artes Ombaka, de Benguela, marcaram a abertura, sexta-feira, em Luanda, da décima primeira edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), sob o lema “Juventude e arte, futuro nas nossas mãos”.

O presidente do festival e do Centro de Animação Artística (ANIM’ART), Orlando Domingos, disse que se tratou de um novo modelo para abertura do festival. “A proposta é de apelo à tolerância, que muda o paradigma das anteriores edições do FESTECA.”
A peça “O elevador”, restrita a um só cenário, resume-se pelo respeito das diferenças e convivência salutar entre as pessoas de níveis e classes sociais distintas, bem como a aceitação da liberdade de ideias.
Adaptação do livro homónimo de Julien Ossola e Igor Carneiro, a peça foi montada por Sincero Muntu e Esteves Quina, cuja mensagem é estimular o sentido crítico do público.
Reflexões sobre homossexualidade, consumo de drogas, crenças religiosas e a falta de rigor no vestir são também motivos de abordagem na peça, cujo enredo se desenrola no interior de um elevador, local onde cinco personagens ficam presas por avarias técnicas e vivem momentos dramáticos.
A proposta do encenador é questionar os espectadores: “O que fazer se ficar preso no elevador com pessoas com as quais não gostaria de conversar? No final, o respeito pelas diferenças e consenso sobrepõe-se aos ideais individuais”.

Novo formato


A direcção do FESTECA adoptou, a partir deste ano, um novo modelo de cerimónia de abertura, em que o grupo homenageado apresenta uma peça, ao contrário de apresentar na sessão de encerramento, como ocorria nas dez edições anteriores.
Por outro lado, “o festival deixa de reconhecer exclusivamente personalidades do teatro do Cazenga, para distinguir fazedores de todo o país cujas acções são dignas de valorização”, disse Orlando Domingos.
Em declarações ao Jornal de Angola, referiu que, embora tenha enfrentado várias dificuldades para a produção, o FESTECA “assume--se como o mais regular festival de teatro de Angola”, facto reconhecido pelo administrador municipal adjunto para a esfera Política e Social do município do Cazenga, que no acto de abertura realçou a determinação de todos os integrantes da equipa de produção do festival.
José de Oliveira Bastos apelidou a direcção do festival como “guerreira” por conseguir movimentar 3.500 grupos, entre nacionais e estrangeiros, e mais de 200 espectáculos, ao longo da existência do festival.
O FESTECA decorre até ao dia 17, na sétima avenida do bairro Cazenga, e alberga exibição de peças, com bilhetes à venda, excepto na sessão de encerramento. Alberga ainda oficinas, encontros de intercâmbio e formação de actores. Participam 18 grupos, representativos de Luanda, Benguela, Cuanza Sul e Namibe, e dos países Alemanha, Cuba, Itália, Portugal e Moçambique.

Distinções

O percurso do colectivo Ombaka, um dos mais internacionais da região Sul, com oito presenças consecutivas no FESTECA, e uma participação no Festival de Inverno em Moçambique, em 2015, mereceu uma distinção pela direcção do FESTECA, que atribuiu um diploma de mérito e um troféu, tal como os actores David Enoque Caracol (Horizonte Nzinga Mbandi), Anacleta Pereira “Nany” (Elinga Teatro), Conceição Diamante (Grupo Julu) e o encenador e professor Africano Kangombe (grupo Óasis).
Enoque Caracol foi recentemente premiado Melhor Actor no Festival de Cinema de Las Palmas, em Espanha, pela sua participação no filme “Posto Avançado do Progresso”, facto que Orlando Domingos considerou mais do que meritório para que o actor fosse reconhecido na abertura da XI edição do FESTECA.
Africano Kangombe, co-fundador do Oásis Teatro, Anacleta Pereira e Conceição Diamante foram homenageados por “serem precursores da arte de representar em Angola, com mais de 30 anos de carreira”, disse o presidente do FESTECA.

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