Festival de Teatro da Paz encerra no domingo

Roque Silva |
7 de Abril, 2017

Fotografia: DR

Os colectivos de artes Oásis e Omwuenho, do Namibe, foram impossibilitados de  exibir, na noite de terça-feira, na sala de espectáculos da Liga Africana, em Luanda, os seus  espectáculos na sétima edição do Festival de Teatro da Paz (Festeapaz), que decorre até domingo, por falta de condições na sala devido ao som ensurdecedor de uma festa que decorria no quintal afecto ao mesmo recinto.

O Oásis, Melhor Grupo de Teatro no Festival Nacional de Cultura (FENACULT) em 1989, que já se encontrava a exibir, em primeira sessão, o espectáculo “Galinha do Mato”,  retirou-se do palco porque o som emitido pelas potentes colunas da aparelhagem montada na festa “Farra da Paz” impedia que o público escutasse os actores.
O grupo Omwuenho também suspendeu  a exibição da peça “Rica Mesa”, que seria apresentada na segunda sessão de terça-feira, mas foi apresentada no dia seguinte. O grupo de teatro Oásis apresenta nos próximos dias o espectáculo “Galinha do Mato”.
O facto obrigou os apreciadores do teatro que se deslocaram à Liga Africana a abandonar a sala, entre reclamações e murmúrios.
O director do Festival de Teatro da Paz acusa os responsáveis pelo agendamento das actividades na Liga Africana de má gestão.
Osvaldo Moreira disse ao Jornal de Angola que os funcionários da Liga Africana falharam ao alugar o quintal, espaço reservado para actividades festivas, em horários em que se realizam espectáculos de teatro. O também encenador afirmou que devia ser dada prioridade ao Festeapaz, pois a sua produção tem os pagamentos do espaço em dia e a produção do festival devia ser informada com antecedência, caso houvesse algum empecilho, e esta por sua vez tinha a obrigação de informar as pessoas que adquiriram os bilhetes para ver os espectáculos. Osvaldo Moreira pediu desculpa aos amantes de teatro que se deslocaram à Liga Africana. 
Em entrevista ao Jornal de Angola, o presidente em exercício da Liga Africana afirmou que houve falta de entendimento entre a produção do festival e o organizador da festa, o DJ João Lopes.
Elias Dissengomoka disse que o DJ João Lopes não atendeu ao pedido dos funcionários da Liga Africana que lhe pediram para baixar o som da música porque estava a impedir os actores de realizarem o seu trabalho. “Soube hoje (ontem) do sucedido e já marquei uma reunião de emergência com o DJ João Lopes para ouvir a sua versão”, disse.   Ainda assim, o Festival de Teatro prossegue com duas sessões diárias, e tem agendada para hoje, às 19h30, a peça “A fuga”, pelo Horizonte Njinga Mbande, e às 21h00, a peça “Hoji ya Henda”, pelo Diassonama. Amanhã actuam os grupos Amazonas, com “Apaixonados por engano”, na primeira sessão, e o Nguizane Tuxicane, com “Cassinda não volta atrás”, na segunda sessão.
O Festeapaz encerra no domingo, com o espectáculo “Mulher sem pecado”, do Elinga Teatro, às 21h00.
 As actividades teatrais agendadas para os dias 14 e 29 na Liga Africana correm o risco de   serem igualmente interrompidas devido às festas que o recinto vai albergar. De acordo com a programação da Liga Africana, o seu quintal alberga no dia 14 a “Farra da Juventude” e no dia 29 mais uma edição da tradicional “Farra de Quintal”, ambas com a produção de DJ João Lopes.

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