Festival do Mindelo em crise financeira


29 de Setembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

Problemas financeiros põem em risco a realização no próximo ano do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact), em Cabo Verde, o que preocupa a organização do que é considerado um dos principais festivais de teatro de África e o maior dos países africanos de língua portuguesa.

O Mindelact,  recebeu na 21ª edição seis países, sendo Angola representada pelo grupo Pitabel  com a peça “O Preço do Fato”, é de periodicidade. O jornal “Expresso das Ilhas” diz que a história do Mindelact esteve sempre associada a dificuldades financeiras.
O presidente da Associação Mindelact, Daniel Monteiro, disse que este ano surgiram novos obstáculos, como a redução significativa de patrocínios de empresas que actualmente enfrentam crises financeiras.
“Para um festival decorrer bem são necessários cerca de vinte mil contos anuais. É inevitável encontrar novas formas de garantir a sustentabilidade do festival”, disse Daniel Monteiro, que sugeriu a redução de empresas patrocinadores, para trabalhar com os mais significativos ao contrário de muitos menos valiosos, é melhor ter cinco empresas que ajudam no financiamento e melhorar a promoção dessas empresas”.
A organização pretende, como uma das saídas para não ofuscar o festival, a possibilidade de passar a realizar-se  de dois em dois anos.
O festival decorreu de 18 a 26 deste mês, e abriu com o grupo do Centro Cultural Português (CCP), tendo exibido “Inocência”. Teve como palco principal o auditório do Centro Cultural do Mindelo (CCM) o festival Off, pela Academia Jotamont, que recebe a teatrolândia, e pela sala Júlio Resende, transformada em instalação de artes plásticas.
Houve ainda teatro de periferia, no Centro Social da Ribeira de Craquinha, em Salamansa, São Pedro e Praça Nova, acções de formação em diversos locais e ainda teatro pelas ruas do Mindelo.
Os problemas financeiros considerados por Daniel Monteiro de “lamentáveis” obrigou a organização a retirar da programação um grupo de Moçambique e outro da Argentina, devido ao “altíssimo custo” das passagens de avião.
“Mas uma coisa que podemos garantir neste mar de dificuldades é que a qualidade do festival está salvaguardada”, referiu Daniel Monteiro.
Como novidades, este ano o Midelact premiou os Rabelados, de Santiago, com exposição permanente e oficinas de pintura e artesanato, para além de uma “singela homenagem”, ao   poeta Corsino Fortes pelo seu “amor e fidelidade” ao Mindelact.
Passaram pelo palco principal oito peças, quatro das quais estreias, nomeadamente, “Inocência”, pelo grupo do CCP do Mindelo, “Luisa Afogada”, pela Nova Companhia, de Portugal, “Platô & Antes do Dia”, por Dajma Porjecttts & Bety Fernandes (Cabo Verde/Argentina) e ainda “Como quem ouve uma melodia muito triste”, com produção do Festival Mindelact.
“Só”, pelo grupo Craq’Otchad, “O preço do fato”, pelo grupo Pitabel (Angola), “Morabesta”, pelo grupo Teatro 15 (São Vicente), e “Uma lição longe demais”, pelo grupo Caixa Preta de Teatro (Brasil) são as restantes peças previstas para o palco principal, sempre com início às 21h00.

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