Festival municipal distingue artistas

Roque Silva |
19 de Julho, 2016

Fotografia: Eduardo Pedro

A companhia de teatro Etu Lene destacou-se entre as demais participantes no XI Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), que encerrou domingo, ao ser distinguida com os troféus de Melhor Encenação e Melhor Espectáculo, com a peça “O feiticeiro e o inteligente”.

A companhia, vencedora do Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Teatro, em 2002, viu o prémio de Melhor Actor ser entregue a Avelino Viegas, protagonista do espectáculo. A peça retrata a história de um senhor que pretende praticar incesto com a própria filha, depois de matar a esposa por se apaixonar pela sua própria herdeira.
O sexagenário faz recurso ao feitiço para criar obstáculos e atrapalhar a relação da filha com o namorado. Para dificultar a união do casal, o senhor faz exigências, exigindo ao genro uma rodilha de fumo e um cesto cheio de água como condição para se unir  à sua filha. Escrita e montada por Beto Cassua, a peça reprova as relações entre membros da mesma família.
O colectivo de artes Nova Cena também foi distinguido com os prémios de Melhor Texto e Melhor Espectáculo, entre os grupos do município do Cazenga, com a peça “A lei do morro”, com texto de Armando Rosa, cuja mensagem espelha a importância da educação para a juventude e aconselha e exorta os jovens a deixarem de ser imediatistas e trabalharem para ajudar a construir o país.
“A Genética”, do grupo Nova Lua, da província do Cuanza Sul, mereceu a distinção de Melhor
Espectáculo dos representantes das províncias, enquanto “O Regressado”, do Horizonte Njinga Mbande, recebeu a Melhor Performance, “A Força do Lukano”, do Tic Tac, o Melhor Trabalho de Identidade Cultural, e “Issunji”, do Njila Teatro, o de Melhor Cenário.
A organização do Festival de Teatro do Cazenga premiou ainda as companhias estrangeiras. O monólogo “O piano sem tecto”, da companhia italiana “The Homeless”, recebeu o prémio de Melhor Espectáculo do festival, e a intérprete, Katie Fagotti, Melhor Actriz.  O grupo Makuerhu, de Moçambique, foi distinguido com os troféus Melhor Espectáculo de Grupo Estrangeiro, Melhor Trabalho Criativo e Revelação, pela peça “Kuphanda”.
O director do festival de teatro, Orlando Domingos, disse que o festival não tem fins competitivos, e que as distinções servem de reconhecimento da “excelência demonstrada pelos grupos, cujos trabalhos se destacaram”.
Orlando Domingos referiu que os troféus e diplomas de mérito visam, igualmente, contribuir para enriquecer o currículo dos premiados. O balanço é positivo, “apesar das dificuldades para a sua realização, a julgar pelo cumprimento da programação, e houve uma média de 100 pessoas em cada  espectáculo”.
O XI Festival Internacional de Teatro do Cazenga encerrou com a apresentação dos espectáculos “A filha do bruxo”, do grupo Julu, e “Nós os do teatro”, da turma humorista Kapa Kapa. O primeiro retrata intrigas entre os nativos e os colonos sobre a questão do feitiço, enquanto “Nós os do teatro” aborda a ausência de união e solidariedade entre os agentes de teatro.

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