Cultura

Grupo Vozes d’África exibe “O parceiro ideal”

Manuel Albano |

“O parceiro ideal” é proposta cénica do grupo Vozes d’África do Huambo, para maiores de 18 anos, a ser exibida hoje, às 20h00, na Liga Africana, inserida no programa da segunda edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que encerra amanhã, no mesmo espaço, com a exibição do espectáculo “O preço do fato”, do grupo Pitabel.

Segunda edição do Circuito Internacional encerra amanhã com a exibição do grupo Pitabel
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro«

Escrita pelo encenador Nelson Pedro Nhanga, a peça “O parceiro ideal” retrata a vida de um casal jovem, com problemas em abordar questões profundas e recorrentes no lar. O problema da intromissão familiar (sogros), gestão financeira e a vida sexual activa são alguns dos fundamentos abordados, razão pela qual Nelson Nhanga disse, ao Jornal de Angola, ser uma peça focalizada fundamentalmente para os adultos, por causa do seu conteúdo.
“O parceiro ideal” vem, exactamente, trazer à reflexão esses assuntos que têm sido muitos frequentes nas sociedades modernas ou menos conservadoras dos seus valores culturais, éticos e cívicos.
Nelson Nhanga explica que há muito tempo tem visto uma prática no relacionamento de alguns casais de separarem os ganhos de cada cônjuge de forma bem acentuada e talvez independente, tornando-os cada vez mais individualistas. “Normalmente, essas práticas têm sido mais acentuada nos homens, que quase sempre são os chefes de família.”
O individualismo, assegura o encenador, geralmente, torna os objectivos pessoais, motivo pelo qual essa prática tem sido “um fundamento para discussões frequentes entre marido e mulher e um dos principais motivos de brigas e até de separação de casais.”
Quanto à questão da administração de um lar, disse o responsável, é basicamente como a de uma empresa.  A peça “O parceira ideal” , de acordo com o encenador, procura também abordar, além desse aspecto, como devem ser feitas as despesas correspondentes aos gastos mensais.
Nelson Pedro Nhanga  disse que na família o casal desempenha o papel de sócios na administração da casa, onde ambos devem assumir responsabilidades iguais perante o orçamento. “Esperamos que esse e outros assuntos da peça possam reflectir um pouco a nossa realidade e trazer subsídios importantes para ajudar alguns casais a superarem algumas divergências nos lares.”

Distinções aos criadores


O Circuito Internacional de Teatro (CIT) que encerra amanhã distingue com diplomas de mérito e participação, no mesmo dia no palco da Liga, os melhores da segunda edição da iniciativa que se realiza na capital do país.      
De acordo com o director do CIT, Adérito Rodrigues “Bi”, a gala de encerramento vai distinguir o melhor actor, actriz, dirigente, público, criação e prémio carreira. “A ideia é mais do que premiar, fundamentalmente, valorizar os esforços e a dedicação que os homens das artes, em particular o teatro, têm feito para o desenvolvimento dessa arte.”
À semelhança do que aconteceu na primeira edição, este ano, o CIT contemplou exibições de peças de teatro, mesas-redondas, visitas, palestras, oficinas artísticas, intercâmbios e troca de experiências entre os grupos nacionais e estrangeiros.
O director do CIT destacou que a assistência aos espectáculos aumentou relativamente em relação à edição passada, fruto de uma maior divulgação do festival na comunicação e redes sociais, pela qualidade das peças exibidas e, fundamentalmente, por se realizar em duas salas já tradicionais em Luanda, o Teatro Elinga e a Liga Africana.
Nesta edição já foram exibidas 55 peças, sendo 15 no Tetaro Elinga e 40 na Liga, para uma assistência de 8.375 pessoas, dos quais 550 recebem brinde da organização.

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