Henrique Artes regressa aos palcos

Manuel Albano |
21 de Julho, 2016

Fotografia: Paulino Damião

O Colectivo Henrique Artes, vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2013, regressa aos palcos com a exibição da peça de teatro “Côncavo e Convexo”, nos dias 30 e 31 deste mês, no anfiteatro da escola Alda Lara, um ano depois de ter encerrado as suas actividades.

O director do grupo, Flávio Ferrão, disse ontem ao Jornal de Angola, que o Henrique Artes tinha suspendido toda a sua actividade cénica devida à falta de uma sala que estivesse sob sua gestão, mas agora é assunto do passado.
“O Henrique Artes passa a partir desde mês a gerir e exibir as peças no Anfiteatro da Escola Alda Lara”, disse Flávio Ferrão, com muita satisfação. A companhia dispõe agora de um espaço condigno para as suas encenações.
Com um calendário de actividades preenchido até ao final do ano, o grupo vai passar a trabalhar por temporadas, de forma a garantir uma melhor preparação dos actores e permitir que estes atinjam melhores resultados na interpretação.
Nos dias 30 e 31 desde mês, às 20 horas, a companhia leva à cena a peça de teatro “Côncavo e Convexo”, baseada num melodrama sobre vários acontecimentos de Luanda.
Na peça, a cidade é vista de uma forma contundente nos seus variados problemas económicos, sociais, culturais e políticos, onde uma mulher sofre com as condições de vida proporcionadas pelo marido.
A peça com duração de 35 minutos, estreada em 2008, é interpretada pelos actores Benjamin Ferrão e Naed Branco, que retratam os problemas conjugais nas zonas urbanas e suburbanas de Luanda.
O espectáculo decorre quase sempre à luz de vela, numa casa desarrumada, onde os problemas são recorrentes.

Teatro nas escolas

No período em que o Colectivo Henrique Artes não estiver a exibir peças, o Anfiteatro da Escola Alda Lara vai ser cedido ao grupo Amazonas Teatro. Esta garantia é do encenador Flávio Ferrão que espera uma melhor rentabilidade do espaço com a criação de parcerias.
Ajudar a fomentar o teatro nas escolas é um dos requisitos exigidos pela direcção do Instituto Médio Politécnico Alda Lara para a cedência do espaço, por forma a dinamizar as artes dramáticas entre os estudantes.
A iniciativa do Colectivo Henrique Artes tem o apoio da Direcção Provincial da Educação, do Colégio Henriques, dos órgãos de comunicação social e de empresas estatais e privadas. “A vida sorri para quem acredita na beleza dos seus sonhos. O nosso projecto foi aceite de forma divina, podemos assim dizer, e obrigado a todos os que permitiram a materialização do projecto”, disse Flávio Ferrão.
A companhia de teatro Henrique Artes foi fundada a 26 de Outubro de 2000 por estudantes do ensino pré-universitário. A peça de teatro “Hotel Komarka”, que já foi exibida em mais de dez províncias e na 20.ª edição do Festival de Teatro de Mindelo (MINDELACT), em Cabo Verde, é uma das suas principais referências. 
“Hotel Komarca” é uma peça que retrata a vida de sete presos dentro de uma cela. É um espectáculo cheio de humor, onde cada detido relata o crime que o levou a viver naquele novo espaço a que chamam Hotel Komarka.
Outro destaque é o monólogo “A Órfã do Rei”, encenado por Flávio Ferrão e interpretado por Mel Gâmboa, que foi apresentada no Festival Lusófono de Teresina, no Brasil.
A companhia de teatro conquistou também dois prémios Cidade de Luanda, com as obras “Meu Enigma”, em 2004, e “Côncavo e Convexo”, em 2008. Também obteve, em 2005, o segundo lugar na categoria de encenação e o de melhor actriz, atribuído a Matilde Kabango, do mesmo prémio.

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