Histórias de Uanga mostradas no palco

Adriano de Melo |
26 de Março, 2016

Fotografia: Kindala Manuel

A importância de valorizar a tradição nacional, como fez Óscar Ribas em “Uanga - o Feitiço”, volta a ser realçada hoje num espectáculo de teatro com o mesmo título apresentada em Luanda pelo Horizonte Njinga Mbande.

O objectivo daquele grupo é alertar para a importância de se valorizar e preservar “a tradição nesta fase de reconstrução do país e de procura de modernidade.”
O espectáculo, a ser apresentado às 19h00 e 21h30, no Auditório da Escola Njinga Mbande, é a história de amor de Catarina e Joaquim, bem como das dificuldades que sentem em manter o relacionamento devido a António Sebastião, homem da classe alta, que procura usar o prestigio para a conquistar e não hesita em recorrer ao feitiço para se vingar quando ela o rejeita.
O actor Damião Kuvula declarou ao Jornal de Angola que a ideia da adaptação de “Uanga - O Feitiço” ao teatro se deve ao facto de Óscar Ribas “ser um antropólogo de referência, cuja obra mostra grande parte dos mitos e histórias que dominam as tradições angolanas”. “Por isso decidimos apresentar esta peça para saudar o Dia Mundial do Teatro, que amanhã se assinala”, disse.
O drama decorre no centro a cidade de Luanda numa época na qual o valor e o respeito pela tradição entravam em conflito com o regime colonial. “O objectivo do grupo ao adaptar a peça a um tempo diferente é mostrar a urgência de neste período de globalização de se resgatarem certos princípios da cultura e tradição de Angola”, declarou.

"Madrasta" e "Xuxuado"


O grupo Horizonte Njinga Mbande apresenta na quinta e sexta-feira, no âmbito da sua programação semanal, a peça “A Madrasta”, um drama sobre a família, com algumas inovações no elenco causadas pela participação de Yolanda Viegas, rosto conhecido da Televisão Pública de Angola (TPA), nas novelas “Windeck” e “Jikulumessu”. A peça, que tenta chamar atenção para a actual situação de muitas famílias angolanas, é a história de uma mulher que vive uma nova relação conjugal, aparenta ser boa esposa, mas por trás maltrata a enteada.
O grupo apresenta nos dias 2, 3 e 4 de Abril a tragicomédia “Xuxuado” que conta a história de uma menina a quem é oferecida uma peça de roupa provocante e passa a atrair demasiadas atenções. “A forma como algumas raparigas se apresentam vestidas é contra alguns dos hábitos angolanos e é para este aspecto que o grupo quer chamar a atenção”, disse.
Damião Kuvula afirmou que encerram em 26 de Abril as inscrições para os cursos de actores e operadores de câmara. O actor referiu que a adaptação de peças de escritores angolanos tem sido “nos últimos anos um dos objectivos do grupo” por ser uma forma de mostrar o papel da literatura na valorização da cultura.

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