Cultura

Julu exibe a peça “A outra” nos festejos do aniversário

Manuel Albano

O grupo Julu apresenta no sábado, às 20h00, na Liga Africana, em Luanda, o es-pectáculo “A outra”, inserido nas jornadas comemorati-vas do 9 de Junho, data em que completa 27 anos de existência em prol do teatro comunitário.

Grupo tem apostado fortemente no teatro comunitário para transmitir as makas do quotidiano
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Conceição Diamante, uma das integrantes do grupo, disse, ontem ao Jornal de Angola, que a apresentação da peça é uma forma de levar à reflexão o facto de muitas jovens viverem na condição de amantes de homens casados, em vez de procurarem ter uma relação com alguém sem compromisso.
Inspirado na música de Matias Damásio, com o título homónimo, o espectáculo pretende mostrar à sociedade e aos jovens casais  a necessidade de mudança comportamental sobre questões relacionadas com o matrimónio, afirmou a actriz Conceição Diamante.
O espectáculo retrata, de forma crítica e construtiva, a condição a que muitas mulheres se submetem ou são submetidas por serem “A outra”. A peça conta a história de Sónia, uma mulher formada, economicamente estável e independente, que se apaixona por Freitas, um homem casado.
Com a duração aproximada de 50 minutos, “A outra” tem a participação de nove actores. O final da peça é decidido pelo público, uma forma de levá-lo a mostrar qual é o comportamento ideal perante a sociedade.
 A peça, ressalta a actriz, tem sofrido algumas alterações em função da dinâmica que a sociedade vai apresentando, no sentido de procurar tornala cada vez mais actualizada sobre os principais assuntos que envolvem os casais.
A escolha do espectáculo  “A outra” para comemorar mais um aniversário do gru-po foi por sugestão dos amantes das artes dramáticas depois de ter sido exibida na se-mana passada no programa “TV Cine”, da Televisão Pú-blica de Angola (TPA). “É uma obra com a qual muitos espectadores se identificam e tem provocado muito debate sobre o adultério na sociedade.”
A questão social e cultural, existente  em sociedades conservadoras e apegadas aos seus hábitos, costumes e tradições, tais comportamento, que leva um homem a ter várias mulheres, vai ser analisado com alguma profundidade no sábado pelo grupo, quando subir ao palco da Liga Africana. 
Participam na peça os actores Manuel Teixeira, Domingas Mendes, Fátima Cassule, António José, Perotel de Jesus e a própria Conceição Diamante, bem como os colaboradores Elaine Caiombo, Carol e Novato.

Um percurso glorioso
O sucesso do grupo Julu começou numa caminhada onde já foram consumidos 27 anos, desde a sua formação, no bairro Marçal, município do Rangel, em Luanda, em 9 de Junho de 1992. O nome do grupo é proveniente das iniciais de Julião e Lucas, já falecidos, que fizeram teatro na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
Persistentes no tempo e no espaço, a alma do grupo tem sido a união dos seus membros, embora haja alguns elementos que se  desmembraram da “grande família”.
Um verdadeiro diamante do teatro angolano, a actriz Conceição Diamante lamenta que o grupo  não tenha uma sede própria, onde possa transmitir o conhecimento e deixar um legado positivo às gerações vindouras. “Já solicitámos  apoios para conseguirmos uma sede própria. Não se constrói uma sociedade se não prestarmos  atenção aos fazedores das artes”.
Destinados a trabalhar em prol da sensibilização da sociedade sobre os assuntos mais actuais como a educação e saúde, o Julu tem cria-do inúmeras parcerias com empresas nacionais e estrangeiras, ministérios, embaixadas e Organizações Não Governamentais.
O grupo Julu conquistou em 2015 o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Teatro.

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