Julu revê a tradição no teatro

Roque Silva |
9 de Junho, 2016

Fotografia: Paulo Mulaza

A personalidade dos angolanos que conseguiram manter viva a chama da identidade cultural mesmo durante o confronto com a inquisição e o poder colonial é apresentada hoje, às 20h00, na Liga Africana, em Luanda, pelo grupo Julu, com a peça “A Filha do Bruxo”.

A peça, que deu ao colectivo o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2015, na disciplina de Teatro, é apresentado no âmbito do 25º aniversário do grupo, comemorado hoje.
A peça é uma pequena homenagem a alguns angolanos que, pela fé demonstrada ao longo dos anos e apesar de fragilizados pelos conflitos entre si, mantiveram vivos os usos, os costumes e as tradições dos ancestrais.
“A Filha do Bruxo” leva o público por uma viagem pela tradição angolana, num percurso iniciado no século XIX e que continua até hoje, onde a prática do feitiço é vista como um ritual capaz de gerar intrigas entre os nativos de uma aldeia no Cuanza Sul e o colono.
O espectáculo, escrito por Armando Rosa e encenado por Lourenço Matias, é o resultado de um trabalho de pesquisa sobre a importância da defesa da identidade nacional numa época em que os nacionais viviam dificuldades devido às tradições. O Julu começou a dar os primeiros passos no teatro comunitário e trabalhou muito em espectáculos de intervenção social, para ajudar a educação na sociedade. As suas primeiras exibições mostravam a importância das primeiras eleições realizadas no país, em 1992.
O nome do grupo provem das iniciais de Julião e Lucas, actores já falecidos que fizeram teatro na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. O Julu já encenou mais de 500 espectáculos, com destaque para “Vovô Mbaxi” e “História do Chamavo”,  Prémio Cidade de Luanda, em 1998.

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