Cultura

Meirinho Mendes em festival internacional

Roque Silva |

O actor Meirinho Mendes representa o país em mais uma edição do Circuito de Teatro em Português, que decorre até ao próxima dia 27, no espaço Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, no qual participam companhias de alguns países da lusofonia e Macau e artistas e o actor angolano entra em cena na próxima sexta-feira, dia 25, na sala Pascoal Carlos Magno, com a peça “Pedro e Capitão”.

Meirinho Mendes (à direita) assume também a encenação da peça “Pedro e Capitão”
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

A peça, uma co-produção da 3M e da Fundação Sindika Dokolo, dramaturgia de Rogério Carvalho e encenação de Meirinho Mendes, retrata em 53 minutos a vida de um torturador e um torturado. Apesar de a tortura ser o tema da peça, como um feito físico, não figura na cena. Como tema artístico, ela pode caber na literatura ou cinema, mas no teatro torna-se uma agressão demasiado evidente para o espectador. 
A tortura não está presente como tal, mas sim a grande sombra que pesa sobre o diálogo. A peça define-se como uma indagação dramática na psicologia de um torturador. Algo assim como a resposta ao porquê ou mediante que processo um ser humano normal pode se converter num torturador.      
A primeira sessão de teatro, dedicada a crianças até aos 12 anos, acontece amanhã, com a Companhia da Casa de Portugal de Macau (China) a apresentar o espectáculo “Em cantos”, representado pela actriz e manipuladora Elisa Vilaça. Segue-se a Associação dos Artistas Cénicos do Amazonas, do Brasil, com “Arte&Fato”.
A programação de domingo inscreve o espectáculo “As palavras de Jo”, do grupo do Centro Cultural Português do Mindelo, enquanto a segunda-feira está reservada para a Companhia de Artes Black Smile (Sorriso Negro) exibir a peça “Nós não morremos”, que retrata a vida de um homem que ficou conhecido como “Homem Cristo”, por ter sobrevivido a rajadas de tiro de uma metralhadora que ceifou a vida de 53 outras pessoas.
Nos próximos dias, a programação reserva os espectáculos “Auto da barca do inferno” e “Pés na estrada”, da companhia brasileira Dragão 7, “Os bolsos cheios da pão”, da companhia brasileira La Inquieta Companhia, “Nos tempos da Gungunhana”, uma criação e interpretação do moçambicano Klemente Tsamba, “Por revelar”, peça com textos, concepção e interpretação de Isabel Mões, e “Oração”, da companhia brasileira Los Puercos.

Percurso do actor


Filho de Luís Mendes e de Filomena Bento, Adérito Bento da Silva Mende (Meirinho Mendes) nasceu em Luanda no dia 12 de Maio de 1970. Iniciou a sua actividade artística em 1989, no ElingaTeatro, e tem desenvolvido trabalhos, em cinema, televisão e dança, quer em Portugal, como em Espanha, países onde residiu, estudou e desenvolveu a sua actividade artística.
No domínio da formação frequentou o Pré-Universitário de Luanda, de 1988 a 1990, na área de Ciências Sociais, e de 2002 a 2005, concluiu o curso de formação de actores da Universidade Autónoma de Madrid.
Meirinho Mendes teve ainda como complementoà sua formação os seguintes cursos: Técnica de Representação, Elinga, 1989, Dança Contemporânea Africana, 2006, Formação em Técnicas de Clown, Montagem de coreografias, Contador de Estórias, Representação para a câmara em televisão, e Iniciação ao teatro e cinema. No domínio do cinema, Meirinho Mendes participou nos filmes: “Via de acesso”, de Nathalie Mansoux, em 2008, “Cinerama”, de Inês Oliveira, em 2007, “Na cidade vazia”, de Maria João Nganga, 2004, e “Comboio da Canhoca”, de Orlando Fortunato, igualmente em 2004. Dos seus vários projectos em televisão, destacamos a série humorística, Makamba Hotel, uma co-produção entre a Valentim de Carvalho e a TV Zimbo, e projectos no domínio da dança.

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