Oásis leva à cena a tradição dos ovimbundos

Manuel Albano |
20 de Agosto, 2016

Fotografia: Dombele Bernardo

“O batuque”, um espectáculo de teatro que procura abordar a preservação dos valores culturais dos ovimbundos, é a proposta do grupo Oásis para levar à cena hoje, às 20h00, no Instituto Superior de Artes (Isartes), na Centralidade do Kilamba, em Luanda, no âmbito do Circuito Internacional de Teatro (CIT).

Escrita pelo encenador  Africano Cangombe, “O batuque” é um espectáculo de teatro que narra a historia da região do planalto central de Angola, cujos habitantes pertencem à classe dos ovimbundos, e o seu cancioneiro.
É uma história protagonizada pelo jovem Tchissoca, que é declarado louco, uma loucura que se confunde com a perda dos seus valores culturais, por ter oferecido um batuque deixado pelos seus antepassados ao filho de um visitante.
Este acto custou-lhe a expulsão da aldeia. “O batuque”, de acordo com a sinopse da peça, procura abordar a preservação dos valores culturais e da identidade angolana, que têm sido relegados para o segundo plano.
O grupo com 25 elementos, fundado em13 de Março de 1988, conquistou prémios cimeiros no festivais de Luanda, em 1995, de Variedades da JMPLA e de Teatro do Lobito.  Também obteve, em 1989, o segundo lugar no Festival Nacional de Teatro, no Fenacult e, em 1998, no Prémio Cidade de Luanda.
“O batuque”, “A morte do velho Kipacaça”, “As velhas profissões”, “Undengue wami”, “Paz no mundo”, “Sete dias na barraca”, “2 filhos de don Petelo”, “Bié, o drama de Muayala”, “Michornias de Chongoli”, “Quem ficará no lugar”, “Luanda e parentesco”, “Os gémeos”, “Rosa Vento”, “Reino das pedras”, “Choro de um povo”, “Lueji” e “Cafezal” são alguns dos espectáculos que constam do repertório do grupo.

“A criação de Elsa”


A companhia de teatro Figuranteather da Alemanha, que se encontra no país para quatro apresentações dos espectáculos “A criação de Elsa” e “Dom Kipunki”, no âmbito do Festival Internacional de Teatro para a Infância e a Juventude, em Luanda, exibe amanhã, às 20h00, a primeira peça no Isartes, inserida na programação do CIT.
No espectáculo, Elsa, a personagem principal, carrega na sua bagagem a história da criação do mundo, transportando consigo coisas colectadas no seu jogo para a terra, o mar, os animais e a coroa da criação, o homem. Mas Adão e Eva querem operar no paraíso a remodelação de algumas coisas: eles inventam o paraíso de compras, no carro, no sofá, no hotel Paradisíaco e na máquina humana.
“A criação de Elsa” é uma peça de teatro sobre a dignidade humana de Anne-Kathrin Klatt e Michael Miensopust, para espectadores menores de oito anos.

Festa no Cazenga

A primeira edição do Festival Internacional de Teatro para a Infância e a Juventude (FESTIJ) realiza-se a partir de quarta-feira e até 25 de Setembro, em Luanda, com a participação de grupos angolanos e as companhias Figuranteather, da Alemanha, À Tiroirs, de França, e Hubert Blanck, de Cuba.
A iniciativa do Centro de Animação Artística do Cazenga “Anim’art”, surge em resposta ao apelo da Associação Internacional de Teatro para a Infância e a Juventude (Assitej) na qual é membro, segundo o qual os Centros Nacionais devem realizar e institucionalizar um certame de artes cénicas para crianças e adolescentes, no âmbito da campanha internacional “Hoje, vamos levar uma criança ao teatro”.
 Orlando Domingos, responsável do director do “Anim’art”, disse que o festival visa congregar os operadores deste segmento do teatro em Angola e produzir uma directiva orientadora das actividades de teatro dirigidas ao público infantil e juvenil, bem como a analise dos aspectos ligados a composição da delegação nacional que em Maio de 2017, participa no 19.º Congresso da Assitej, a ter lugar na cidade do Cabo, na África do Sul.
O festival, disse o responsável, é realizado com a parceria do Goethe Institut da Alemanha e da Alliance Francaise, que prestam o suporte as companhias de teatro estrangeiras participantes. A actividade do festival vão ter lugar no Anim’art, no Cazenga, anfiteatro do Instituto Superior de Artes (Isartes), no Kilamba, Centro Cultural Brasil-Angola, Centro Cultural Dr. Agostinho Neto, em Catete, e auditório Njinga Mbande.
O programa do festival, que abre oficialmente no dia 24, no anfiteatro do Anim’art, no Cazenga, às 16h00, com a exibição da peça “Dom Kipunki” da companhia alemã, reserva para amanhã, às 20h00, no Isartes, a exibição da peça “A criação de Elsa”, pela companhia Figuranteather.
Está prevista para segunda e terça-feira, a partir das 9h00, a realização de oficinas de teatro, no salão Multiusos do Anim’art,   orientadas pela directora da companhia Figuranteather, da Alemanha, Ann Klat.
O programa do festival reserva ainda, além de oficinas de teatro a serem orientadas pelo actor Michael Miensopust, a exibição de espectáculos de teatro infanto-juvenil dos grupos Flores a Brincar, Palco Aberto, Bem Amados, de Benguela, Horizonte Njinga Mbande, Filhos de Angola, de Malanje, Marado Teatro de Rua, Viluzia do Cuanza Norte, Grutij e Arco Íris.
O festival visa  a troca de intercâmbio cultural, em geral, e teatral, em particular, entre participantes internacionais e nacionais, com vista a divulgação e promoção das artes cénicas angolanas.

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