Cultura

Participação de estrangeiros no festival de teatro esteve reduzida

Manuel Albano

A falta de verbas e patrocinadores dispostos a apoiar a produção do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que este ano decorreu de 29 de Junho a 16 de Setembro, na Liga Africana e no Centro Cultural Brasil - Angola (CCBA), obrigou a organização a reduzir a participação dos grupos e companhias de teatro nacionais e estrangeiros, afirmou, ontem, em Luanda, o director do festival.

Exibição do grupo Oásis encerrou a edição 2018 do festival promovido pelo colectivo Pitabel
Fotografia: Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, Adérito Rodrigues “BI” lamentou a actual situação económica e financeira que o país atravessa, o que tem provocado o afastamento de muitos agentes culturais e empresário a apoiarem o festival, razão pelo qual se regista a redução gradual dos grupos participantes.
Este ano, recorda, apenas se registou  a participação de cinco companhias estrangeiras, sendo três do Brasil e duas de Moçambique. Na segunda edição (2017) participaram grupos de Moçambique, Brasil e Portugal, enquanto na primeira edição (2016) marcaram presença grupos oriundos da Alemanha, França, Itália, Cuba, Portugal, Brasil e Moçambique.
A escassez de recursos financeiros, explicou Adérito Rodrigues “BI”, não tem permitido a inscrição de mais grupos atendendo ao nú-mero de solicitações das companhias nacionais e internacionais. “Esta edição só aconteceu porque temos a parceria da empresa AngoMart, como patrocinador das próximas edições. No geral, o CIT na edição 2018 teve 34 espectáculos.”
Apesar da crise, o director do festival garante que vai continuar a trabalhar para garantir a efectivação das próximas edições do projecto que já  conquistou o seu espaço nacional e internacional, como um dos roteiros mais procurados.
Adérito Rodrigues “BI” faz um balanço positivo da edição deste ano por se conseguir cumprir com o programa previsto, embora a nível da organização ainda existirem alguns aspectos por se melhorar. “Tenho a lamentar a pouca vergonha a que assistimos porque a direcção da LAASP decidiu arrendar o espaço para uma outra actividade cultural no mesmo momento, o que criou  desconforto entre os artistas”.
O director do festival reconheceu o facto de a abertura e o encerramento serem presididas pela vice-governadora da província de Luanda para o sector politico e social, Ana Correia Victor, “o que mostra a importância que o CIT tem na valorização e promoção das artes cénicas no país”.
Este ano, explicou Adérito Rodrigues “BI”, o festival teve uma assistência de sete mil espectadores e foram realizados 35 espectáculos, sendo 32 estreias. “Este exercício surtiu efeito positivo, conseguimos fazer distinções e entregas de certificados de participações a todos os grupos, sendo 26 de Luanda, três de Benguela e Malanje e Cuanza-Sul, com um grupo cada”.

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