Cultura

Peça de teatro "Cartas" enaltece Amílcar Cabral

A correspondência trocada entre Amílcar Cabral e Maria Helena, sua primeira mulher, constituem o universo da peça “Cartas”, que está em cena na Escola de Mulheres, no Clube Estefânia, em Lisboa, a partir de amanhã.

Angola,circuito internacional de teatro
Fotografia: KINDALA MANUEL

A peça tem direcção artística de João Branco e Cátia Terrinca e baseou-se nas cartas datadas entre 1946 e 1960, trocadas entre Maria Helena Rodrigues e o líder da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral.
A peça fica em cartaz até domingo. Trata-se de um espectáculo-memória sobre dois seres, mas também uma revisitação ao imaginário de um amor imenso de um casal, ao qual foram impostas inúmeras barreiras e situações de ausência dolorosa, a que não foi alheia a luta travada por Amílcar Cabral pela independência da África lusófona, contra o colonialismo.
O processo de trabalho de “Cartas”, uma criação colectiva, começou com uma residência artística no Mindelo, em Cabo Verde, com o apoio do Centro Cultural Português e da Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM), a convite do Festival Mindelact, entre Outubro e Novembro de 2017.
A primeira versão da peça foi encenada por João Branco e apresentada em antestreia em Outubro de 2017, no Mindelact, em coprodução com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português- Pólo do Mindelo (GTCCPM), de que o encenador é mentor e fundador.
Com dramaturgia de Celeste Forte e Sofia Berberan, que também assina a fotografia de cena, cenografia de Ricardo Guerreiro Campos, sonoplastia de José Bica e vídeo de Ângelo Lopes, “Cartas” é um projecto de um colectivo e do GTCCPM, com desenho de luz e design gráfico de João P. Nunes. Em Janeiro do próximo ano, de acordo com a companhia, a encenação de “Cartas” regressa a Cabo Verde.
A partir das cartas que escreveu a Maria Helena Rodrigues, a primeira datada de 1946, é possível reconstituir a biografia e a história do homem a quem chegaram a chamar a “mais bela figura revolucionária” que África produziu.
O intervalo temporal acompanha o regresso à Guiné, em 1952, que percorre durante o recenseamento agrícola, segue o caminho que desembocará na luta armada.

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