Cultura

Peça “Hotel Komarca” com inovações no Elinga

Manuel Albano |

A peça  “Hotel Komarka”, do grupo Henrique Artes, volta a ser exibida amanhã às 20h00, no Teatro Elinga, em Luanda, inserido no programa da segunda edição do Circuito Internacional de Teatro, que decorre até 17 de Setembro, na capital do país.

Espectáculo sofreu algumas alterações para proporcionar outras emoções aos espectadores
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

Com pequenas inovações em função do contexto, a peça é uma tragicomédia que narra a história de oitos detidos, entre os quais uma mulher, dentro de uma cela, que vivem emoções, sonhos, tristezas e alegrias, mas sobretudo o desejo de liberdade por vias menos correctas.
A peça, que completa dez anos, desde que foi escrita em 2007 por Flávio Ferrão, descreve a situação dos reclusos, conscientes das dificuldades, que lutam para se demarcarem da cadeia.
Encenado pelo próprio Flávio Ferrão, o espectáculo é levado à cena pelos actores Benjamim Ferrão, na personagem de “Chefia”, Adilson Vunge, como “Boy Toy”, Ailton Silveiro  “Chumbo”,  Raul Lourenço “TeleTubbie”, Samuel Viegas “Tadeu”, José Maria Fernandes “Cafetão”, Leandro Alfredo “Turbo” e Naed Branco “Jurema”.
Flávio Ferrão disse ontem ao Jornal de Angola, que ao longo dos anos a peça “Hotel Komarca” tem sido uma referência no país e no estrangeiro, razão pela qual ainda é muito aplaudida e sugerida pelos apreciadores das artes cénicas.
Embora a obra tenha sido escrita na  sequência de uma tragédia, ela carrega uma mensagem positiva e vitoriosa, por permitir uma reflexão profunda sobre o  legado a deixar no país, enquanto agentes sociais, garante o encenador.
O espectáculo, explicou o encenador, sofreu algumas alterações, para proporcionar outras emoções, mas sempre no sentido de manter o mesmo enredo, por ser já uma marca. “Esta tem sido a nossa peça de cartaz para esse ano, principalmente, pelo facto de ser informativa e educativa.”
Flávio Ferrão disse que as artes cénicas no país, em particular o teatro angolano, tem dado mostras de evolução, razão pela qual os grupos de teatro, têm sido quase sempre distinguido nos festivais internacionais em que são convidados a participar.
Apesar de reconhecer existir ainda algum trabalho por  desenvolver no domínio da representação, o encenador reconheceu a forma ousada e criativa de todos os que ao longos de mais de três décadas têm colocado uma pedra no edifício do teatro feito no país. O aumento do número de espectadores nas salas, de acordo com Flávio Ferrão,   corresponde às expectativas daqueles que se propõe  fazer teatro.
Por ser um processo longo, explicou Flávio Ferrão, iniciativas como o Circuito Internacional de Teatro devem envolver a todos os agentes culturais, dirigentes e fazedores do teatro na criação de condições para o desenvolvimento das artes em todo o território nacional.
O espectáculo já foi encenada nas províncias do Huambo, Huíla, Benguela, Cuanza-Sul e Bié. Foi premiada no Festival Internacional do Cazenga, em Luanda, como melhor espectáculo cénico, e teve Adilson Vunge como melhor actor.
A companhia já exibiu “Hotel Komarca” em Cabo Verde, no Festival do Mindelo, e no Brasil, no Festival de Amostra Latino-americana Piauí, em São Paulo. O espectáculo recebeu no Rio de Janeiro o Prémio Revelação do Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa (FESTLIP).
Fundado em Luanda, há 16 anos, no colégio técnico pré-universitário Henriques, por Flávio Ferrão, o grupo tem no seu reportório várias espectáculos, com destaque para “Amor fatal”, “A sombra”, “Conspiração”, “Controvérsias sociais”, “Contra o tempo”, “Dançando com o lobo”, “Dossier leviano”, “É minha gente, temos o mesmo cheiro”, “Elvira”, “Eu vi e vivi, eles não eram loucos” e “História que marcou o Sul”.

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