Problemas sociais reflectidos em peça

Manuel Albano |
19 de Agosto, 2015

Fotografia: Paulino Damião

O grupo de teatro Kipapumunu “Grutek” apresenta domingo, a partir das 18h00, no Cine Ginga Center, na cidade de Malanje, o espectáculo “A Paixão que fundiu”, adaptação do livro “Manana” do escritor Uanhenga Xitu.

A encenação, segundo o membro do grupo Luís Zage, recria a vida de dois jovens que se apaixonam, mas Kilamba, o feiticeiro da aldeia de Caxicane, usa todos os seus poderes para impedir o relacionamento de Zito e Manana.
Mais tarde, depois de muitos mistérios, é desvendada a  razão   que leva o feiticeiro a criar impasses para o insucesso da relação dos dois jovens. A peça foca os aspectos da tradição e hábitos culturais, particularmente das regiões do Bengo e Luanda, numa época onde se respeitavam as orientações  e conselhos dos mais velhos.
Na segunda sessão, no mesmo dia e local, a partir das 20h00, o grupo apresenta a peça “Kifarú”, com a duração de uma hora, na qual vão estar visíveis e reflectido o quotidiano, tendo em conta as mortes, muitas delas misteriosas que ocorrem um pouco pelo país.
O problema de impotência sexual, doenças sem explicações aparentes, invejas, cobiças dos bens alheios, perda de valores morais e cívicos no seio das famílias, que entram em choque com o tradicionalismo e o moderno são realçados na peça. Luís Zage disse que o grupo vai aproveitar a estada  em Malanje   para trocar experiências com outros grupos de teatro locais, de maneira a promover um maior diálogo entre os criadores das artes dramáticas: “É uma oportunidade para termos um contacto com outras realidades e poder saber o estado actual do teatro que se faz noutras partes do país.”

''A escravatura''


O Grutek apresenta dia 29, a partir das 20h00, no palco da Liga Africana, em Luanda, a peça intitulada “A Escravatura”, e dia no dia seguinte, às 10h00, no Beiral, na Terra Nova, distrito urbano do Rangel.
Luís Zage disse que o espectáculo recria factos reais, ocorridos durante o tráfico de escravos, quando as pessoas eram tiradas dos seus territórios e famílias, muitas delas sem chegarem a conhecer os seus filhos e netos. O grupo vai mostrar também como essas pessoas foram alvos de injustiças e o modo como lutaram para se tornarem homens livres. “Vamos exibir a forma como clamava uma escrava sob açoites na sua própria terra, de onde não queria sair, chorando até ao amanhecer, acorrentada da cabeça aos pés e as crianças a sofrerem por falta de amparo dos progenitores que partiam.”
O grupo, fundado em 1995 na província de Luanda, já participou em vários festivais de arte com destaque para o Prémio Cidade de Luanda, em 2002. O grupo tem apostado em peças que valorizem   os aspectos culturais e tradicionais do quotidiano da sociedade angolana.

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