Cultura

Projecto Vela Angola exibe peça no Brasil

Roque Silva |

O espectáculo dramático “Falácia”, da companhia de artes Projecto Vela Angola, foi seleccionado para representar  Angola no Festival Internacional de Teatro Lusófono de Teresina, no Brasil, que se realiza de 21 a 27 deste mês.

Actriz Deodete Collsoul representa o teatro nacional no festival Internacional em Teresina
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Na sua quinta actuação no exterior de Angola, na décima edição do certame da capital e cidade mais populosa do estado do Piauí, com participação de outros conjuntos de Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Portugal, o Projecto Vela Angola viaja um dia antes do início do festival.
O director artístico e encenador do grupo, Deazevedo Buchecha, disse ao Jornal de Angola que a companhia realiza uma única actuação, que reflecte um problema vivido actualmente por todas as sociedades, sobretudo pela juventude.
“Falácia” é um monólogo, adaptado do livro “Umbal de Transmutações” do angolano António Gonçalves, que narra os problemas causados nas relações conjugais pelas ligações telefónicas.
O texto da peça, representada pela actriz Deodete Collsoul, é baseado em sete poemas do livro, “A quinta estação do tempo”, “A quarta voz do sexto caminho”, “Transparência”, “Um dia falarei”, “Conheci outro mundo”, “Oração nocturna”, “Partilhando” e “Voz do caminho”. É um drama que retrata em 50 minutos situações constrangedoras vividas actualmente por muitos casais, sobretudo por jovens com menos experiência e inseguros.
Domisia, nome da personagem principal interpretada pela actriz do grupo Diassonama, é uma jovem da elite que procura entender o motivo pelo qual o marido a trai. Ela tenta digerir um telefonema enganoso justamente no dia da comemoração de mais um dia de casados. Ao falar com o esposo, escuta a voz de uma outra mulher a agradecer a noite anterior, supostamente com o seu marido.
Composto por jovens artistas do bairros periféricos de Luanda, o Projecto Vela Angola foi criado em 2012 como um espaço de formação de teatro básico. />A sua existência  inscreve-se numa linha de continuidade iniciada pelos grupos Nzoji ya Muenho e N’samuni. Com as peças de teatro “Entre 4 Paredes”, de autoria do dramaturgo brasileiro Léo Gomes, “Lupulo”, do actor e encenador angolano Manuel Camacodia, e com o espectáculo “Stand Up Comedy”, o grupo já se exibiu na Namíbia, Zâmbia, Congo-Brazzaville e Congo-Kinshasa, além de actuações em 15 províncias.
A companhia, que realiza anualmente o festival de teatro  Festivela, no Cazenga,  conquistou, em 2016, o prémio de Melhor Espectáculo (Detenção Mental) no Festival Olombangue, no Bié, numa edição em que Judith Lemos foi a Melhor Actriz. Esta foi ainda distinguida a melhor actriz no Festival de Moçâmedes.
O grupo recebeu o prémio para Melhor Encenação, Actriz e Espectáculo Revelação no Festival do Menongue e segundo classificado no Festival 1.º de Maio, em Luanda. Outros prémios: Melhor Actor (Manuel dos Santos) no Festival Provincial do Cuando Cubango, em 2014, Melhor Espectáculo (Entre 4 Paredes) no Festival Provincial do Uíge, edição 2013, e Melhor Actor (Deazevedo Buchecha) no Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca), em 2012.
Para garantir a participação na 10.ª edição do festival em Teresina, o Projecto Vela Angola pretende arrecadar receitas para a compra de bilhetes de passagem, com exibições, amanhã, das peças “Lupulo”,  e “Falácia”, no  domingo, às 20h10,  no Cine Teatro de Caxito, capital da província do Bengo, ambas com direcção e encenação de Deazevedo Bochecha.
Angola fez-se representar nas edições anteriores do certame internacional de teatro da lusofonia com os grupos Henrique Artes e Dadaísmo.

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