Teatro Lusófono no Rio de Janeiro

António Bequengue|
10 de Agosto, 2014

Fotografia: Cedida pelo grupo

O núcleo de artes Pitabel, com o espectáculo “O Preço do Fato”, e o grupo Enigma Teatro, com a peça “Sujeito e Azarada”, são os representantes angolanos na sexta edição do Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa (FESTLIP), que se realiza de 27 deste mês a 5 de Setembro no Rio de Janeiro.

Durante os dez dias de actividades, a programação teatral do Festival apresenta 11 espectáculos inéditos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal em seis espaços cénicos, como Casa de Cultura Laura Alvim, Teatro Municipal do Jockey, Teatro Ipanema, Teatro Café Pequeno, Teatro Gláucio Gil e Sesi Jacarepaguá.
Este ano, pela primeira vez, o Festival, realizado pela Talu Produções, vai apresentar uma peça infantil, estreando o FESTLIPinho. A peça inaugural é “O Príncipe Feliz”, da Companhia Magia e Fantasia, de Portugal, que é encenada no Morro de São Carlos e no Parque Lage, com entrada franca.
Do programa do FESTLIP consta também a realização do tradicional FESTLIPSHOW, no Jardim Botânico, no dia 30 deste mês, com a participação de um duelo de DJ de Angola, Brasil e Portugal, com versões electrónicas de kuduro, MPB e fado, com abertura da DJ brasileira Ana Paula. Na véspera, a música é tema de outro evento, a oficina de percussão ministrada por Cheny Wa Gune, de Moçambique, no Chapéu Mangueira. No programa consta ainda a realização de mesas de debate, palestras e oficinas, no II Encontro Cultural de Língua Portuguesa, entre os dias 1 e 2 de Setembro, no SESI Centro, com a participação de dramaturgos, encenadores e programadores internacionais.
O evento promove debates, encontros e negócios para a realização de montagens teatrais nos países de língua portuguesa. Também no dia 2, o SESI Centro abriga a oficina teatral, ponto alto do intercâmbio entre os grupos participantes, aberta ainda a jovens actores e estudantes de teatro, que participam como ouvintes.
Tânia Pires, directora do Festival, disse que este ano a exposição fotográfica realiza-se em parceria com o Instituto Camões. Intitulada “O cinema português”, a mostra tem lugar no Parque Lage e vai ter imagens projectadas que traçam um panorama dos mais de cem anos da história do cinema lusitano.

Espectáculos angolanos


“O Preço do Fato”, do núcleo de Artes Pitabel, é um espectáculo que narra a história de Cristina, uma jovem de 20 anos, que nasceu num pequeno povoado no norte de Angola, onde as tradições e os costumes são muito respeitados. Ao mudar-se para a capital e ao deparar-se com novas referências de comportamento, vive o conflito entre o tradicional e o moderno, colocando em risco o seu relacionamento e a própria vida.
Pitabel foi fundado em 2001, em Luanda, e é formado por 15 actores com diferentes contactos culturais. As suas obras estão projectadas em criações colectivas e em autorias nacionais e internacionais.
A peça “Sujeito e Azarada”, do grupo Enigma Teatro, é uma obra de arte com responsabilidade social, capaz de moldar as consciências da juventude sobre as responsabilidades da formação de uma família.
O Enigma Teatro surgiu da fusão de dois grupos teatrais, Os Makotes e Comba Meneck em 1998, em Luanda. A companhia herda todo o histórico e acervo dos dois grupos, assim como os títulos e prémios que os mesmos receberam.

Homenagem a João Mota


Tânia Pires disse que este ano o FESTLIP vai homenagear o actor e encenador português João Mota, um dos principais nomes do teatro de Portugal, pelo seu contributo em prol da promoção, divulgação e preservação das artes cénicas de língua portuguesa.
João Mota tem 72 anos de idade e 57 de carreira e encenou mais de cem espectáculos - muitos deles com a companhia Comuna - Teatro de Pesquisa, que fundou em 1972. Trabalhou com nomes como Peter Brook e passou ainda por Angola, França, Irão e Brasil, onde trabalhou com Henriette Morineau e Augusto Boal, entre outros. Há três anos é também director artístico do Teatro D. Maria II. Na sua trajectória, João trabalhou ainda com rádio, cinema e televisão e recebeu diversos prémios.
Na última edição, o homenageado foi o dramaturgo angolano e director do Elinga Teatro, José Mena Abrantes, pelo contributo que tem vindo a prestar em porl do teatro angolano.

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