Teatro precisa de espaço próprio

Mário Cohen|
28 de Março, 2015

Fotografia: Paulino Damião

Mena Abrantes disse, em Luanda, que o teatro angolano está numa encruzilhada decisiva marcada pela proliferação de grupos, tanto na capital como nas outras principais cidades.

O encenador, que leu o discurso da Associação Angolana de Teatro (AAT) por ocasião do Dia Mundial do Teatro, disse que, apesar dos progressos registados, continua a faltar formação especializada dos actores.
“Ainda não se ensina teatro nas escolas, nos institutos ou universidades, nem há cursos para formar dramaturgos, encenadores, actores, cenógrafos, técnicos de luz e de som, figurista e outros profissionais, o que é um problema que tem de ser resolvido o mais rápido possível”, lamentou.
A abertura da Escola Média de Teatro e Cinema, no Complexo de Escolas de Arte (CEARTE) e no Instituto Superior de Arte (ISARTE), referiu, ajuda a colmatar essa lacuna, mas já com um atraso de quase 40 anos. Os projectos oficiais anteriores, recordou, apesar de bem-intencionados, fracassaram por falta de estratégia e de continuidade.
O dramaturgo disse não existirem “salas de teatro, nem outros locais de representação com as mínimas condições técnicas, para quem representa, e de comodidade para quem assiste e mencionou o exemplo como elucidativo.
Numa cidade de mais de seis milhões de habitantes, prosseguiu, não existe nenhuma sala de teatro digna desse nome e mesmo assim estão ameaçados os espaços alternativos que de algum modo iam suprindo essa falta.
Os grupos, com raras excepções, salientou, estão ligados a igrejas, escolas ou empresas, que não dispõem de infra-estruturas, meios técnicos e recursos financeiros próprios e continuam a depender de patrocínios. Até ao momento, disse, não existe no país uma companhia profissional com estrutura técnico-administrativo funcional, instalações próprias e reportório, capaz de revelar e promover o teatro nacional e grandes obras da dramaturgia universal.
O teatro angolano, declarou, pela qualidade artística das suas propostas, já obteve reconhecimento nacional revisto nos vários Prémios Nacionais de Cultura e Arte e no exterior, com homenagens e galardões conferidos a alguns grupos no Brasil, Cabo Verde e Portugal.  “Esse prestígio abre outros horizontes a novas realidades artísticas”, disse.
As artes cénicas nacionais, sublinhou, já conseguem atravessar as fronteiras do real e do fictício e valorizar a identidade nacional. Estes, concluiu, são os primeiros passos para se poderem estabelecer laços solidários com todos os que se expressam de maneira diferente pelo mundo e para se partilharem afectos que vão muito além do comum amor pelo teatro.

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