Tradições de Malanje em peça

Manuel Albano |
30 de Julho, 2015

Fotografia: Paulo Mulaza

O grupo de teatro Julu estreia hoje, às 20h00, no Complexo turístico KDS, no Kikuxi, em Viana, o espectáculo “A filha do bruxo”, no qual explora algumas das tradições e hábitos de Malanje, como uma forma de preservar e divulgar mais o seu legado.

A peça é interpretada por sete actores e faz uma abordagem sobre o misticismo em torno do feitiço numa aldeia em Malanje, centrando-se, essencialmente, na perda dos valores morais e cívicos.
O espectáculo faz ainda uma incursão por várias situações e peripécias a que muitos anciões são submetidos devido algumas questões socioculturais. O drama tem como pano de fundo a Angola do período colonial, onde as restrições culturais eram um problema. No espectáculo, com a duração de 50 minutos, o Julu aborda o choque entre o modernismo e o tradicional, numa aldeia onde o conservadorismo e o respeito pelas autoridades tradicionais são muito fortes.
O actor Manuel Teixeira disse, ontem, ao Jornal de Angola que a peça pretende criar uma maior reflexão sobre os aspectos do dia-a-dia de algumas aldeias do interior do país, muitas vezes ignorados pela sociedade, e onde a feitiçaria é parte da herança cultural de várias populações. 
“Na peça, um exemplo da feiticeiro é Sanguesse, o bruxo da aldeia, detentor de muitas terras e rebanhos, mas ninguém sabia a proveniência de tanta riqueza. Apesar dos avanços da tecnologia, ainda somos um povo muito enraizado em vários princípios, que, mesmo não sendo tão visíveis na capital do país, são referência noutras regiões”, disse. Para o actor, o espectáculo também é um contributo a este tipo de conhecimento aos poucos esquecido pela nova geração, mas que é uma parte essencial do folclore. “É preciso ensinar mais os jovens sobre a importância da defesa e valorização da cultura e das tradições nacionais.”
O grupo de teatro Julu foi fundado a 9 de Junho de 1992, no Marçal, por Lourenço Mateus, Manuel Teixeira “Avô Ngola”, Pedro Henriques Pascoal e Vado Baptista. O projecto surgiu para apoiar as primeiras eleições em Angola, na vertente da educação cívica eleitoral. Em 1993, criou uma parceria com a UNICEF para apresentar peças comunitárias, tendo um ano depois participado na formação de vários grupos de teatro. O grupo venceu consecutivamente duas edições do Prémio de Teatro Cidade de Luanda (1999 e 2000). Internacionalmente, o Julu representou Angola na I Bienal dos Jovens Criadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 1999.

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