Versão angolana de "Hamlet" exibida no Brasil

Manuel Albano
10 de Agosto, 2016

Fotografia: Projecto Resgarte

O projecto Resgarte  representa  Angola no Festival Lusófono de Teatro (FESTLUSO) que decorre de 22 a 28 deste mês, na cidade de Terezinha, no Brasil, com o clássico imortalizado na literatura pelo escritor William Shakespeare, em “Hamlet”.

Alcino Cristóvão, da produção executiva, disse ontem ao Jornal de Angola que o grupo está preparado para representar com dignidade o país. A viagem do grupo acontece dia 21, com uma caravana composta por dez integrantes entre actores e membros da produção.
Alcino Cristóvão explicou que o convite surge após a excelente participação do grupo no Festival Internacional de Teatro de Inverno (FITI), que decorreu em Moçambique em Junho deste ano. “A nossa boa exibição levou a coordenação do Festluso a estender-nos o convite.”
A companhia artística Resgarte, disse Alcino Cristóvão, dá continuidade à segunda temporada da adaptação do clássico de William Shakespeare “Hamlet”, com a exibição da peça no  sábado e domingo, às 20h00, no Belas Shoping, em Luanda, como forma de angariar receitas para a deslocação do grupo ao festival, adiantou.
A única alteração, disse Alcino Cristóvão, é a substituição da actriz Nayete Branco pela Celma Pontes. “O projecto tem como objectivo trabalhar com actores afastados há algum tempo dos palcos e aqueles que estejam disponíveis e a desenvolver projectos ambiciosos em prol do desenvolvimento do teatro”. 
A participação do grupo, explicou Alcino Cristóvão, não fica apenas pela exibição da peça “Hamlet”. A experiência artística dos actores angolanos Emanuel Nkruma Paim, Mayomona Vicente, Celma Pontes, Quim Fasano, Lizeth Joaquim, Wime Bráulio Martins, Sidónio Massoxiartz, Onézimo Piedade, Edson Miranda, Rodrigues Vunge e Abdelaziz vai ser aproveitada para intercâmbio em seminários com outros actores participantes no festival. Durante os seminários, os actores  abordam   temas como a criação artística angolana e a dinâmica registada no teatro nacional ao longo dos tempos, garantiu Alcino Cristóvão.

Historial da peça

O conto clássico de vingança que leva um sobrinho a matar o tio que assassinou o seu pai intitulado “Hamlet: O preço da vingança” é um espectáculo de teatro que reproduz o mesmo drama vivido pela personagem de Shakespeare, que devido às incertezas sobre o acto de vingança contra o tio começa a ter transtornos psicológicos, ao ponto de conversar com o fantasma do seu pai.
A peça, que tem como personagem principal Kilumba, foi adaptada pelos organizadores para a realidade dos Reinos em África, particularmente ao contexto angolano. O drama mostra ainda as consequências de dar responsabilidades acrescidas a um jovem. O cumprimento do dever, que inclui fazer justiça por mãos próprias e honrar o nome do seu falecido pai, desperta em Kilumba, um jovem de 25 anos, incertezas sobre a missão, em especial quando o tio já estava casado com a sua mãe.
O espectáculo analisa a questão do assassinato por razões pessoais e os perigos da ambição desmedida. A ideia do projecto foi transformar o texto original, mas acrescentando humor negro e metáforas, sobre a traição, vingança, o incesto e a corrupção moral.
A peça foi escrita de uma forma contemporânea, sem limitações no tempo e espaço, de forma a aproximar mais o público do conto, numa viagem emocionante, vista de uma perspectiva inovadora e criativa.
Com encenação de Emanuel Nkruma Paim, o projecto Resgarte foi criado para incentivar o desenvolvimento das artes cénicas, recorrendo a técnicas tradicionais e convencionais do teatro. 
A iniciativa tem o seu foco no desenvolvimento de acções culturais que transcendam fronteiras, possibilitando a divulgação do potencial artístico e cultural de Angola. Além destas metas, o projecto tem o objectivo de internacionalizar peças de teatro e estabelecer parcerias sólidas, que envolvam o intercâmbio artístico. Neste sábado e domingo, o projecto Resgarte realiza, em parceria com o grupo infantil Cataris Teatro, a exibição às 16h00, no Belas Shoping, em Luanda, do espectáculo “Rainha Njinga Mbande”, que narra a história desta heróica guerreira, que viveu de 1581 a 1663 e representa a resistência à ocupação do território africano pelos portugueses.

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