Telenovelas nacionais expandem raízes culturais

Francisco Pedro |
11 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

A banda sonora  das telenovelas de produção nacional e dos documentários ajudam a divulgar e preservar diferentes traços culturais, segundo afirmação do engenheiro de som José do Nascimento, quando se pronunciava sobre a importância da linguagem sonora cinematográfica.

As telenovelas e os documentários são os géneros cinematográficos que mais envolvem situações da realidade, tais como cenários, figurinos, músicas, diálogos e, principalmente, as histórias, por isso José do Nascimento considerou como veículos “muito poderosos” para que os cineastas possam dar a conhecer a cultura do país.
Com larga experiência em produção de documentários e telenovelas nacionais, além de ficção no país e no exterior, o cineasta formou-se em 1994 na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San António de Los Baños (EICTV), em Cuba, uma das mais prestigiadas instituições a nível do mundo.
“Através de documentários e telenovelas contamos histórias contemporâneas e seculares, com recurso aos aspectos visuais e sonoros. Do ponto de vista da sonoridade é de realçar que cada local pode ser identificado pela sonoridade que representa componentes da natureza, como o mar, o vento e o trânsito da cidade,  sendo a sua captação com meios tecnológicos que permitem dar relevância independentemente dos suportes visuais”, realçou.
O som, na sua óptica, é um elemento de comunicação de fácil e simples apreensão, cuja  transmissão de geração em geração pode perdurar várias décadas. “É difícil os telespectadores esquecerem as músicas das telenovelas”, realçou José do Nascimento ao se debruçar sobre o poder da tele-dramaturgia para a promoção musical.
Entrou para o mundo do cinema em 1981, no antigo Laboratório Nacional de Cinema, sob influência das conversas que testemunhava entre o seu tio Costa Neto e o cineasta Orlando Fortunato, em Caxito, onde encontravam-se aos fins-de-semana.
“As conversas relacionadas com o período colonial na região de Icolo e Bengo, contadas pelo realizador Orlando Fortunato, foram me despertando curiosidade para entrar na sétima arte”, lembra.
No Laboratório Nacional de Cinema, que funcionava no antigo cinema Restauração - actualmente Assembleia Nacional - começou como estagiário de estúdio, anteriormente designado por “reagie”, tendo passado depois à categoria de assistente de som e mais adiante como técnico de som. José do Nascimento passou pelas principais etapas da concepção ou produção sonora para cinema, desde a captação,  pos-produção e mistura.
Como engenheiro de som, a sua função “é conceber a parte sonora do filme, desde a elaboração do argumento, passando pela produção e pós-produção até a parte final do produto (o filme)”.
Trabalhou para as telenovelas “Pecado Original”, da TPA, 1998, “Caminhos Cruzados”, produzida pela Óscar Gil, em 2002, os documentários “Afrique Rouge” (1997),  Michael Villarmut, “Canta Angola” (2000), de Ariel de Bigaut, em “Comboio da Canhoca” (2003), de Orlando Fortunato, “Tute Les Teles du Monde” (2005), de Ariel de Bigaut, e fez assistência nas ficções “O Herói”, de Zezé Gamboa,  “Batepá” (2009) de Orlando Fortunato, entre outras participações nacionais e estrangeiras.

Formação

A aposta do Executivo em levar avante a produção cinematográfica angolana, que teve início em Outubro de 1975, permitiu enviar a Cuba um grupo de jovens bolseiro ávidos em fazer carreira para frequentar a EICTV, em 1991, em diferentes especialidades: José do Nascimento (Engenheiro de Som), José Silvestre (Guião), Silva Plex (Câmara), Mariano Bartolomeu (Realização), Ezequiel Pedro (Produção).  José do Nascimento passou  pela famosa EICTV para aperfeiçoar conhecimentos adquiridos em Angola. Sente-se orgulhoso porque os diplomas eram assinados pelo célebre escritor mexicano Gabriel Garcia Marques, como presidente do Festival do Novo Cinema Latino Americano.
Além de ampliar conhecimentos, a sua passagem por Cuba abriu caminho para uma carreira internacional, pois participou em obras experimentais exibidas em festivais de prestígio internacional o que lhe conferiu algumas distinções, como o prémio “Roberto Roceline”, de Cannes (1993), destinado ao cinema experimental, produzido pelos estudantes e várias participações, uma delas com “Tais Alicia e o país das Mil Maravilhas”, de Tomás Gutierres Aleia, no Festival de Havana entre 1991 e 1994.
Os melhores momentos como bolseiro destacou a convivência salutar com Gabriel Garcia  Marquez , os professores argentino Fernando Birri e o brasileiro Orlando Senna.
O aprendizado das técnicas  de elaboração de argumento, analogia e composição sonora e musical, produção, edição de vídeo, realização, traduzirem-se como experiência única.
O mesmo aconteceu com outras disciplinas em que os professores demonstravam larga experiência de trabalho: Jerónimo Labrada (Cuba), Francisco Adrianzen (Perú), Michel Fano (França), Antoani Bonfanti (França) e Carlos Abate (Argentina).
“Foi fantástico, além do conhecimento académico vivemos momentos relevantes de índole cultural, o que nos permitiu saber o comportamento das pessoas de outros países”, lembra sem esquecer o que mais lhe marcou, “a integração na comunidade estudantil e a reacção dos profissionais sempre prontos a ensinar”.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA