Cultura

Toty Sa’med em concerto no Centro Cultural Português

Jomo Fortunato

A personalidade musical de Toty Sa’med foi construída, fundamentalmente, por um processo de intenso autodidactismo. Hoje, volvidos cerca de onze anos de contínua aprendizagem, Toty é um dos mais importantes guitarristas da nova geração e o Kings Club, espaço cultural contíguo à sua residência, continua a ser o seu principal local de exibição.

Cantor actua quinta e sexta-feira em dois concertos no auditório Pepetela em Luanda
Fotografia: DR

Toty Sa’med começou a tocar guitarra, aos catorze anos de idade, com a banda pop/rock “Kuecas e Boxers” nos bares da cidade de Luanda. Na sequência de algumas mudanças, os seus integrantes decidiram trocar o nome do grupo para The King’s Band, ficando a designar a banda residente do espaço homónimo, King’s Club.
Claramente influenciado por André Mingas, Bonga e Filipe Mukenga, em Angola, e por Djavan, Caetano Velosos e Ed Motta, no Brasil,  Toty Sa’Med possui uma intensa intervenção na cena musical angolana, tanto como cantor, compositor, interprete e multi-instrumentista, como  guitarrista, produtor, arranjador e director musical, tendo se convertendo num dos artistas de culto da Nova Música Angolana.
Na verdade, as suas in-fluências estendem-se do Rock Psicadélico ao Jazz, contudo iniciou-se na infância, ouvindo música africana. Cedo começou a produzir instrumentais de Rap, Kuduro e kizomba, mas a paixão arrebatadora do Semba, a herança do Ngola Ritmos e das grandes referencias da Música Popular Brasileira levaram-no a abandonar as experimentações musicaise dedicou-se ,exclusivamente, a aprendizagem da guitarra. 
Toty Sa’med  é admirado e  celebrado pela nova geração de cantores e compositores angolanos, tais como Aline Frazão, Gari Sinedima e Selda, com quem colabora regularmente, mas também tem recebido aplausos de Paulo Flores e Filipe Mukenga. Este último convidou-o  a integrar a sua Banda, para vários concertos. Pelo seu prestígio e tendências, foi convidado a celebrar, em palco, a vida e obra de  André Mingas e fez uma serenata ao patriarca, Ruy Mingas, nas suas bodas de ouro.  Filho de Américo Medeiros e de Maria dos Santos, Erickson dos Santos Medeiros, Toty Sa’med , nasceu em Luanda no dia 18 de Maio de 1989.

Discografia
Toty Sa’med  criou, em 2016, o selo discográfico, “Musseke records”, e gravou o EP “Ingombota”, com  produção de Kalaf Epalanga, dos ex-Buraca Som Sistema. No EP estão alinhados  os temas, Kaluanda, “Kizuakingifua”, “Meu amor da rua onze”, “Mona kingui xiça”, “HoolaHoop” e Namoro. De referir que, ainda em 2017, Toty Sa’med  foi premiado “Mú-sico do Ano” pela Revista Jovens da Banda e nomeado para o Top Rádio Luanda. Participou no disco de Sara Tavares com o tema “Brincar ao Casamento” da sua autoria, conjuntamente  com Sara Tavares e Kalaf Epalanga.  Em 2018, realizou uma série de concertos em várias cidades de Angola, com a jovem cantora compositora Nayela, participou na peça de teatro “Conversas no Céu” de Valdano Lukizaia e abriu o concerto de Salvador Sobral, cantor português vencedor do Prémio Eurovisão, edição, 2017, e participou no Festival, EDP Cooljazz em Cascais, Portugal. 
 
Festivais
Toty Sa’med foi o cantor mais votado na edição de 2012 do Festival da Canção da LAC, Luanda Antena Comercial. Em 2013, participou novamente no referido Festival, desta vez como actor e cantor do musical “O canto da sereia”, de Filipe Zau e Filipe Mukenga. Em 2015, a convite da cantora brasileira Natasha Lerena, integrou o concerto a três vozes do Festival “Back & Back” no Rio de Janeiro, juntamente com Aline Frazão.Em 2017, participou no “Festival Raízes do Atlântico”, na Ilha da Madeira  e no “MA Scéne Nationale” em Montbéliard”, em França.  No final de 2017, foi convidado pela artista britânica Joss Stone para integrar a “Total World Tour”, que, em Angola, interpretou em dueto  o tema “Zakukina Ni eme” (vem dançar comigo). Dos concertos realizados em Lisboa, destacam-se o espectáculo “Carta Branca”, no Centro Cultural de Belém, onde cruzou o seu trabalho com a cantora Sara Tavares  e textos do  escritor angolano, José Eduardo Agualusa, no tema que dá título ao álbum “Moura” da fadista Ana Moura, que o convidou para abrir o seu concerto no Olympia de Paris. 

Concerto
O concerto marcado para os próximos dias, 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro, às 19H00, terá dois momentos. No primeiro, Toty Sa’med, a solo,  vai revisitar temas do seu EP, passando por Tom Jobin e Elis Regina, e vai interpretar os temas, “Águas de Março”, “Só Tinha de ser com você”, “Corcovado”, “Por causa de você”, “Triste”, “Brigas nunca mais”, “Retrato a preto e branco”, “Chuvendo na roseira”, “Eu sei que vou te amar” e “Correnteza”.
No segundo momento, previsto para o dia 1 de Fevereiro, a cantora, Nayela, junta-se ao TotySame’d para interpretar, “Lese Pale” e “Non Miseu” de Mário Canonge, “La javanaise” de Serge Gainsbourg, “La Bohème” de Charles Aznavour, “Brincar de Casamento” de Sara Tavares e “Jisabu” de André Mingas. Cantora de múltiplos recursos vocais, Nayela  participou, em 2015, no Primeiro The VoiceÁfrica  e acusa influências de  Paulo Flores, Aline Frazão, Elis Regina,  Tom Jobim, Caetano Veloso, Beyonce e Jorge Ben.

Fotografia
Toty Sa’med, que também é fotógrafo amador, participou, em 2018, na sétima edição da exposição colectiva, plataforma de fotografia experimental, “Vidrul fotografia”, que juntou quatro fotógrafos diferentes em técnica e narrativa. Nesta exposição a imagem e memória se tornaram unidas, tecendo novas identidades, numa constante documentação, afirmação e celebração da angolanidade. Participaram, para além de Toty Sa’med, os fotógrafos, Albano Cardoso, Céus e Sebastião Vemba,  com curadoria do “ELA, Espaço Luanda Arte”.

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