Cultura

“TPA e outras Histórias” chega amanhã às bancas

Osvaldo Gonçalves

O jornalista, produtor e realizador de televisão Nguxi dos Santos lança amanhã, às 15h00, no Centro de Produção de  TV, no Camama, em Luanda, o livro “TPA e Outras Histórias”, uma obra em que reúne textos e fotografias, assinados por ele próprio e por vários intelectuais e profissionais da área.

O livro, com cerca de 220 páginas, só não nos surpreende pela qualidade de impressão, das imagens e pela eloquência dos textos, por conhecermos bem tanto o seu autor global, sempre exigente consigo mesmo antes do que com qualquer outro, quanto cada um dos que nele participaram, seja na forma de entrevistas, seja de textos lavrados ou testemunhos recolhidos.
O próprio Nguxi dos Santos escreve na página 9, na parte final dos agradecimentos, que “seria heresia da minha parte olvidar companheiros que, olimpicamente, e quando o livro era ainda uma ideia, não regatearam na altura de estenderem a sua mão para que esta empreitada conhecesse vida”.
E são muitos esses companheiros. Tem José Luís Mendonça no prefácio, Jomo Fortunato, num interessante texto intitulado “Nguxi dos Santos: primeiro estranha-se, depois entranha-se”, Jorge Ntyamba, Amélia da Lomba, Orlando Rodrigues e o “nosso” sempre presente camarada general na reserva Joaquim António Lopes “Farrusco”, que convoca o país para que um dia saiba “reconhecer este cidadão e aquilo que tem feito” e alerta: “Quem não sonha na vida não tem perspectiva. Mas Nguxi dos Santos sonha e tem feito acontecer...”
“TPA e Outras Histórias”, que nos chegou por portas-travessas, manigando uma cópia devidamente sonorizada do documentário “Pelo Silêncio das Armas”, em que somos protagonistas, tem um pouco de tudo: de camaradas da tropa, do Ernesto Bartolomeu, da Sandra Mainsel, do António Frazão, da Zurema Rodrigues e da Mariana Ribeiro.
Na página 19 e num texto não assinado e logo assumido pelo autor, refere-se que “a história da Televisão Pública de Angola (TPA) confunde-se com a história do audiovisual de Angola”, na esteira do que escrevem José Luís Mendonça e Jomo Fortunato. O poeta, que no livro se apresenta apenas como jornalista, diz mesmo que os muitos anos de “comunicação televisiva nos inspiram a perguntar: reconhecendo que os media contribuem para a formação da opinião pública e alimentam um certo imaginário, de que modo podemos aproveitar as potencialidades da TV, enquanto novo agente de socialização que detém um enorme poder, para a educação familiar e escolar”. É ele mesmo quem nos aponta o caminho quando diz ser a TPA “a alma colorida do progresso de edificação de uma Angola multi-étnica e pluri-racial”.
Perfil do autor
Nascido a 22 de Janeiro de 1960, no Nzeto, província do Zaire, Nguxi dos Santos foi repórter de guerra na TPA, na década de 1980. O jornalista vem do cinema como sonorizador de documentários exibidos nas salas de cinema, que divulgavam a política do Governo, logo nos primeiros anos após a proclamação da Independência Nacional.
Nguxi dos Santos é profissional reformado da TPA, onde se destacou na produção e realização de documentários e de programas de entretenimento.
Em 2015, Nguxi dos Santos e José Rodrigues venceram o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de cinema e audiovisual, com o documentário Langidila, uma obra dinâmica, que num crescente estado de emoção culmina com uma sensação de que algo mudou: um misto de orgulho pátrio com uma mais sentida identidade nacional.
Como fotógrafo, expôs Marcas da Guerra, no Museu de História Natural, em Luanda (2002), e na Venezuela (2005). Além disso, apresentou, em 2009, a exposição/videoarte As marcas, na Bienal de Bordéus, França (2009) e em Salvador da Bahia, Brasil.

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