Cultura

Traços arquitectónicos requerem conservação

O património arquitectónico, antropológico e cultural da província do Namibe precisa de uma maior valorização e conservação, para não correr o risco de perder-se em breve, disse, ontem, em Moçâmedes, o governador Carlos da Rocha Cruz.

Pelo “enorme” mosaico cultural que possui, herdado dos povos que habitaram a região ao longo dos tempos, representado por pinturas e gravuras rupestres, muitas agrupadas em estações arqueológicas, furnas e sítios históricos, o património cultural precisa de um melhor aproveitamento, como forma de dignificar o legado deixado e passá-lo às futuras gerações.
Actualmente, destacou, o Gabinete Provincial da Cultura controla oito monumentos históricos classificados, dentre os quais as fortalezas de Kapangombe e de S. Fernando, o Palácio do Governo, a Igreja de Santo Adrião, as Pinturas de Tchitunduhulu e as instalações das Alfândegas.
O governador adiantou ainda que o património local e as suas construções típicas assentam numa ornamentação romancista, própria da época do renascimento e do iluminismo, hoje muito pouco divulgada e conhecida entre os jovens.
Para Carlos da Rocha Cruz, é preciso que sejam realizados muitos encontros, em especial com os jovens, como o último organizado pela Administração de Moçâmedes, para se incentivar o resgate da consciência dos citadinos para a valorização e conservação do património da província. “Tendo em conta a longevidade das peças e das fontes históricas, é lamentável o facto de hoje muitas delas encontrarem-se em estado de degradação avançada. Por isso, iniciativas como o ‘Namibe Histórico’, que visa a criação de bases para uma estrutura de avaliação, catalogação e conservação do património da província, são sempre bem-vindas”, disse.
O dirigente orientou ainda às administrações municipais a sensibilizarem os proprietários e utentes de edifícios históricos e a promoverem acções de recuperação e conservação destes espaços.
“Temos que conter, com a máxima urgência, a acelerada destruição do património, através da fiscalização e divulgação das leis existentes para o efeito”, reforçou, adiantando ainda que a maior preocupação deve ser o estado degradante em que se encontra o património arquitectónico local.
Por sua vez, o director na-
cional dos Museus de Angola, Ziva Domingos, afirmou que o Namibe é uma das regiões do país com um rico património cultural que me-rece uma atenção especial. O Executivo angolano, adiantou, está a apostar no de-senvolvimento sustentável, procurando trilhar novos caminhos e diversificar a economia, recorrendo a todos os recursos disponíveis no território nacional, entre os quais, o património cultural e natural.

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